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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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Lula mantém Sidônio na Secom e redesenha comando da comunicação para 2026

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Presidente descarta retirada do ministro para a campanha e aposta em influência indireta no marketing eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, no comando da pasta até o fim do mandato, descartando sua saída para atuar diretamente na campanha de reeleição em 2026. A decisão altera o desenho interno do PT e frustra a expectativa de aliados que consideravam praticamente certa a volta de Sidônio ao núcleo duro do marketing eleitoral, função que ele exerceu na campanha presidencial de 2022.

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Com Sidônio permanecendo no Palácio do Planalto, o presidente deverá buscar outro nome para liderar formalmente a estratégia de comunicação da campanha. Nesse cenário, ganha força a possibilidade de o publicitário Raul Rabelo, ex-sócio e aliado histórico do ministro, assumir o papel. No entorno presidencial, a avaliação é que a permanência de Sidônio no governo não reduz sua influência política sobre a campanha, mas tende a ampliá-la, ainda que nos bastidores e sem vínculo oficial com a equipe eleitoral.

Nos bastidores, a decisão de Lula de manter Sidônio Palmeira na Secom é lida como uma escolha estratégica para preservar o controle da narrativa governamental em um ano pré-eleitoral marcado por tensões institucionais e disputas internacionais. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

A conversa entre Lula e Sidônio ocorreu na semana passada. Segundo aliados, o presidente avalia que a comunicação institucional não pode ser enfraquecida durante o período eleitoral, sobretudo diante de um cenário de forte polarização e de disputas narrativas intensas. Sidônio ganhou projeção ao longo de 2025, quando assumiu a Secom, e passou a integrar o círculo mais próximo de aconselhamento do presidente, sendo ouvido não apenas sobre comunicação, mas também sobre estratégias políticas mais amplas.

Raul Rabelo trabalhou em diversas campanhas petistas na Bahia no período em que Sidônio atuava mais diretamente no marketing eleitoral. A relação de proximidade entre os dois é vista, dentro do PT, como um elemento-chave para garantir alinhamento entre a comunicação do governo e a narrativa da campanha. Mesmo fora da estrutura formal, Sidônio já vem sendo consultado sobre temas ligados à comunicação partidária, hoje sob responsabilidade de Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT.

A permanência de Sidônio no Planalto também atende a uma preocupação prática do presidente: evitar um distanciamento físico e político em momentos considerados decisivos. Além da Secom, o ministro participa da construção do discurso partidário, em razão de sua relação direta com Éden Valadares. No PT, esse alinhamento é apontado como decisivo para a escolha do dirigente baiano para o comando da comunicação do partido, criando uma ponte direta entre Planalto e legenda.

Sidônio, Raul Rabelo e Éden Valadares compartilham trajetórias profissionais na Bahia e mantêm relação próxima. Para dirigentes petistas, esse entrosamento facilita a padronização da linguagem política e a coordenação da narrativa com foco na disputa presidencial de 2026, reduzindo ruídos entre governo e partido em um período de campanha prolongada.

A aproximação de Sidônio com Lula começou ainda em 2022, por articulação de lideranças baianas do PT, como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. À época, divergências internas sobre a comunicação da campanha geraram tensões no grupo político do presidente. Após a vitória eleitoral, o nome de Sidônio chegou a ser cogitado para assumir a Secom no início do governo, mas o posto acabou ocupado por Paulo Pimenta, hoje deputado federal.

No núcleo político do Planalto, a estratégia para 2026 é transformar a eleição em um embate direto entre a atual gestão e o governo Jair Bolsonaro. A comunicação deverá explorar a retomada e ampliação de programas sociais, além de novas propostas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Outro eixo previsto é a associação do bolsonarismo a decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluindo o aumento de tarifas e a relação do governo norte-americano com os processos judiciais que levaram à prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Comunicação, poder e controle da narrativa

Nos bastidores, a decisão de Lula de manter Sidônio Palmeira na Secom é lida como uma escolha estratégica para preservar o controle da narrativa governamental em um ano pré-eleitoral marcado por tensões institucionais e disputas internacionais. A permanência do ministro também evita a abertura de uma nova frente de negociação política, num momento em que diversos ministros devem deixar o governo até abril para disputar cargos nas eleições de outubro, como Gleisi Hoffmann e Rui Costa. Ao centralizar a comunicação institucional no Planalto e manter interlocução direta com a campanha, Lula busca reduzir riscos de desalinhamento e assegurar que governo e partido falem a mesma língua na corrida de 2026.

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