
Uma megaoperação deflagrada desde a madrugada desta sexta-feira (11) busca socorrer moradores e comerciantes do distrito de Sousas após o excessivo volume de chuva, que resultou no transbordamento do Rio Atibaia, que corta o distrito. O clima é de tensão. Moradores estão apreensivos com o risco de uma nova cheia para esta noite.
“Estou muito preocupada. O banco está aberto ainda. Mas o rio só está subindo”, disse uma atendente do Bradesco. Nas proximidades da agência, a água subiu cerca de um metro durante a madrugada. Comércios foram alagados e moradores de áreas de risco chegaram a perder colchões, cama, guarda-roupa e demais objetos pessoais.
Do Beco Mokarzel, Juraci Garcia, falou que a água “atravessou os móveis” e “jogou as roupas no chão”.
Agentes da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) e Guarda Civil Municipal bloquearam trecho da Rua Maneco Rosa. Funcionários, maquinários da Prefeitura e reeducandos fazem a limpeza da área alagada. A Defesa Civil monitora “in loco” a região central.
Ao mesmo tempo, a vazão do rio aumenta. Logo após às 13h, a água voltou a ocupar a Praça Beira Rio. Quase toda praça já foi tomada pelo Atibaia.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) vistoriou o Centro, área mais afetada no distrito. “Estamos fazendo um trabalho de rescaldo e limpeza. Temos maquinários que tiram a lama e esperamos que o rio faça seu curso natural. Estamos dando apoio a moradores desabrigados. Os desabrigados estão sendo levados ao Cândido Ferreira, onde terão almoço e jantar. Assim que abaixar a água, vamos apoiá-los para voltarem para suas casas”, disse.
Jonas citou a instalação do sensor alagamento, que possibilitou à Defesa Civil a retirada antecipada dos moradores das áreas de risco. “Teve tempo de retirar essas pessoas, se não estaríamos falando de coisa bem pior aqui hoje”, declarou.
O prefeito afirmou que a chuva sobre o rio é a maior desde a década de 1970. “Desde 70 não tinha uma chuva dessa proporção”. O volume de chuva (125 mm) entre ontem e hoje corresponde a 77% do esperado para o mês de março, apontou o Cepagri, da Unicamp.
EXCESSO
Coordenador da Defesa Civil, Sidney Furtado, explicou que em Atibaia e Itatiba o nível do rio continua alto. “O problema é o excesso de água e o que fazia a retenção da água já não consegue mais. Atibaia decretou situação de emergência. Em Itatiba o nível está alto. Aqui é o reflexo dessas duas cidades. Precisamos ter calma e monitorar o nível da água”. Diante de previsão de mais chuva, Furtado negou a necessidade de esvaziamento da região central do distrito.
Receosos com outra enchente, comerciantes espalham espuma expansiva nas portas dos estabelecimentos na tentativa de reter novos alagamentos.
(Por Paulo Medina)




