O Museu da Imagem e do Som de Campinas abre nesta quinta-feira, 27 de junho, um ciclo especial de cinema. Intitulado “A Mídia e o Documental” e com curadoria de Luis Mello, terá três sessões até sábado, dia 29, com entrada gratuita. O intuito é mostrar produções que tenham mote central na influência midiática na sociedade.
Na quinta, o brasileiro “A criança, a Alma do Negócio” reflete sobre a criação de uma sociedade futura consumista que aflige pais todos os dias. Mostra como, no Brasil, a criança, por ser de mais fácil convencimento do que adultos, se tornou a alma do negócio para a publicidade. Elas passam a ser bombardeadas por propagandas especificamente dirigidas que estimulam o consumo.
O resultado é devastador: meninas que, aos cinco anos, vão às escolas maquiadas e deixam de brincar de correr por causa de saltos altos, sabem as marcas de todos os celulares, mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos, mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada.
No dia seguinte, mais um filme nacional: “Olhar estrangeiro” reflete sobre os clichês e as fantasias que se avolumam pelo mundo afora sobre o Brasil. Baseado no livro “O Brasil dos Gringos”, de Tunico Amâncio, mostra a visão que o cinema mundial tem do país. Filmado na França (Lyon e Paris), Suécia (Estocolmo) e EUA (Nova York e Los Angeles), o filme, através de entrevistas com os diretores, roteiristas e atores, desvenda os mecanismos que produzem esses clichês.
A última sessão, no sábado, tem o documentário americano “Reel Bad Arabs – How Hollywood Vilifies People”, que expõe de maneira detalhada como o cinema de Hollywood, desde o início da sua história até os dias atuais, mostra os árabes de forma distorcida e preconceituosa.
O filme tem como apresentador o aclamado autor do livro “Reel Bad Arabs”, Dr. Jack Shaheen, Professor da Universidade de Illinois e estudioso do assunto. O filme faz uma análise, baseado em uma longa lista de imagens de filmes, de como os árabes são apresentados como beduínos bandidos, mulheres submissas, homens violentos, sheiks sinistros ou idiotas perdulários. Ou ainda como terroristas armados e prestes a explodir pessoas e lugares. Uma maneira brilhante de mostrar em uma narrativa bem construída, como as imagens contribuíram e contribuem para formar os estereótipos em torno dos árabes, suas origens e sua cultura. Para escrever o livro, o autor analisou mais de 900 filmes.





