Ministro do STF exige novo parecer sobre atuação de Frederick Wassef antes de decidir arquivamento do inquérito

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (18) que a Procuradoria-Geral da República apresente um novo parecer sobre o caso das joias sauditas recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, após identificar lacunas na análise anterior do órgão, especialmente quanto às suspeitas envolvendo o advogado Frederick Wassef.
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A decisão ocorre depois de a PGR defender o arquivamento da investigação sob o argumento de ausência de previsão legal clara para punir a conduta relacionada à venda dos presentes oficiais. Moraes, no entanto, apontou que o parecer não enfrentou todos os elementos reunidos pela Polícia Federal, principalmente os trechos que tratam da atuação de Wassef no resgate de um relógio de luxo da marca Rolex, vendido nos Estados Unidos.
Na decisão, o ministro foi direto ao determinar o retorno dos autos à PGR para manifestação específica sobre os documentos anexados pela PF. “Encaminhem-se os autos […] para manifestação quanto ao material encaminhado”, registrou.
O inquérito conduzido pela Polícia Federal apontou, em 2023, indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo Bolsonaro e outros 11 investigados, incluindo o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Segundo a investigação, teria sido montada uma estrutura para desviar e comercializar presentes recebidos em agendas oficiais, especialmente durante viagens à Arábia Saudita.
As apurações indicam que parte das joias foi retirada do Brasil em aeronave oficial e posteriormente vendida no exterior. Um dos episódios centrais envolve a recompra de um dos itens por Wassef, que confirmou ter adquirido o relógio com recursos próprios para devolução.
Análise investigativa
A decisão de Moraes sinaliza desconfiança em relação à tentativa de encerramento precoce do caso e amplia a pressão sobre a PGR, que agora terá de se posicionar de forma mais detalhada sobre a conduta de agentes periféricos ao núcleo político.
Nos bastidores, a divergência entre STF e PGR expõe um embate institucional sobre os limites da responsabilização penal em casos que envolvem bens recebidos por chefes de Estado. A alegação de “lacuna legislativa” pode funcionar como precedente sensível, abrindo margem para disputas jurídicas futuras sobre patrimônio público e privado de autoridades.
Além disso, o foco sobre Wassef indica uma possível estratégia de aprofundamento investigativo por camadas: ao avançar sobre operadores e intermediários, o Supremo pode buscar consolidar provas indiretas capazes de sustentar eventual responsabilização do núcleo central. A depender do novo parecer, o caso pode tanto ser arquivado quanto ganhar novo fôlego — com impactos políticos diretos sobre o entorno do ex-presidente.




