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terça-feira, março 10, 2026
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Narcotraficante espanhol teria financiado operação que levou Daniel Vorcaro ao controle do Banco Master

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Documentos e registros financeiros indicam que traficante condenado por lavagem de dinheiro aparece como cotista de fundos ligados à compra do banco

O caso é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de manipulação financeira, uso de empresas de fachada e desvio de recursos de fundos de investimento. Foto Rovena Rosa/Agencia Brasil

O narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin teria sido um dos investidores indiretos na operação que levou o empresário Daniel Vorcaro ao controle do Banco Master, segundo documentos financeiros, registros regulatórios e autos de investigações que apontam a presença do criminoso como cotista em fundos utilizados na estrutura do negócio.

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Os registros indicam que o elo entre o traficante e o banqueiro seria o operador do mercado financeiro Benjamim Botelho de Almeida, apontado em investigações como articulador de estruturas financeiras utilizadas em operações envolvendo fundos de investimento e instituições financeiras.

Fundos e triangulação financeira

Documentos da Comissão de Valores Mobiliários mostram que Oliver Ortiz figurava como cotista em fundos administrados por estruturas ligadas ao grupo financeiro Aquilla, que mantinha relação com a corretora Sefer Investimentos.

Esses fundos teriam sido utilizados em operações financeiras que culminaram na aquisição do antigo Banco Máxima, adquirido por Vorcaro em 2017.

De acordo com registros de investidores de 2015, Ortiz aparecia como cotista do Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário, que aplicou recursos no fundo São Domingos — veículo utilizado na operação que viabilizou a compra do banco.

A estrutura indicaria uma triangulação financeira que colocaria o narcotraficante como investidor indireto na instituição financeira.

Operação Compliance Zero

O caso é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de manipulação financeira, uso de empresas de fachada e desvio de recursos de fundos de investimento.

As investigações apontam que as operações incluíam a compra de empresas de baixo valor, seguida da elevação artificial de seus resultados para inflar avaliações financeiras e atrair investimentos.

Segundo trechos dos autos da operação, as transações envolveriam empresas ligadas direta ou indiretamente a Daniel Vorcaro e Benjamim Botelho, levantando suspeitas de conflitos de interesse e uso de estruturas interpostas para movimentação de recursos.

A investigação também analisa investimentos de fundos de previdência de servidores públicos que teriam aplicado cerca de R$ 2 bilhões em operações relacionadas ao banco.

Investigações anteriores

As conexões entre Vorcaro e Botelho já apareciam em investigações anteriores. Em 2020, ambos foram alvos da Operação Fundo Fake, que apurava supostas manipulações financeiras ainda no período em que a instituição se chamava Banco Máxima.

Em uma das denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal, Botelho foi acusado de participação em gestão fraudulenta do banco entre 2014 e 2016. A acusação apontou que o fundo Aquilla Veyron teria sido utilizado para simular aumento de capital da instituição.

Segundo a denúncia, recursos do próprio banco teriam sido usados na operação, criando uma triangulação financeira que mascararia a real situação patrimonial da instituição.

Trajetória do narcotraficante

Oliver Ortiz foi preso no Rio de Janeiro em junho de 2013 e condenado a 16 anos de prisão por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

As investigações apontaram que ele liderava uma rede responsável pelo envio de cocaína para a Europa por rotas marítimas, com operações registradas desde 2009. O caso envolveu cooperação internacional com autoridades de Portugal, Austrália e Estados Unidos.

Segundo a denúncia do Ministério Público, para lavar recursos provenientes do tráfico o espanhol investiu em imóveis, empresas e fundos financeiros no Brasil, além de registrar bens em nome de terceiros.

Entre os ativos atribuídos ao narcotraficante estavam coberturas na Barra da Tijuca, casas noturnas, restaurantes e participações em operações imobiliárias.

Em março do ano passado, a Polícia Federal notificou o criminoso de que ele deverá ser expulso do Brasil após o cumprimento da pena estabelecida pela Justiça.

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