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terça-feira, março 31, 2026
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Piloto preso em Congonhas é apontado como chefe de rede de exploração sexual infantil em São Paulo

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Investigação indica abusos sistemáticos, pagamento a familiares e dezenas de vítimas ainda não identificadas

Um piloto foi preso dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na segunda-feira (9), suspeito de liderar uma rede de exploração sexual e produção de pornografia infantil envolvendo crianças e adolescentes, segundo a investigação. A apuração indica que os crimes vinham ocorrendo havia pelo menos três meses, com vítimas levadas a motéis, uso de documentos falsos e pagamentos diretos a responsáveis legais. A prisão ocorreu na capital paulista, após monitoramento da rotina de voos do suspeito, que mora em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo.

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De acordo com o levantamento dos investigadores, o piloto mantinha contato direto com algumas das vítimas e com mães e avós das crianças. A apuração aponta que uma das meninas passou a sofrer abusos ainda aos 8 anos de idade. Hoje, ela tem 12. Há relatos de violência física recente, com agressões ocorridas dias antes da prisão.

Até agora, dez vítimas foram formalmente identificadas, a maioria com idades entre 12 e 13 anos. Foto Divulgação Polícia Civil

Na mesma operação, batizada de “Apertem os Cintos”, duas mulheres também foram presas. Uma delas, avó de três vítimas, teria negociado o acesso do homem às netas. A outra, mãe de uma das crianças, sabia dos abusos e teria colaborado enviando imagens e vídeos da própria filha.

As investigações mostram que o suspeito utilizava diferentes estratégias para se aproximar das famílias, deixando claro que tinha interesse em crianças. Em troca de fotos, vídeos e encontros, fazia pagamentos em dinheiro que variavam entre R$ 30 e R$ 100, além de custear despesas básicas, como medicamentos, aluguel e a compra de eletrodomésticos.

Até agora, dez vítimas foram formalmente identificadas, a maioria com idades entre 12 e 13 anos. No entanto, a análise de materiais apreendidos indica a existência de dezenas de outras crianças e adolescentes ainda não localizados, o que amplia o alcance da investigação.

A prisão dentro do avião foi definida como a forma mais rápida de capturar o suspeito, já que sua rotina profissional dificultava localizá-lo em casa. Após a detenção, ele informou ser casado pela segunda vez e ter filhos do primeiro casamento. A atual esposa compareceu à delegacia e afirmou não ter conhecimento das práticas criminosas.

O caso segue em investigação, com novas diligências para identificar outras vítimas e possíveis envolvidos na rede.

A participação das mães e familiares

Se ficar comprovado que sabiam dos abusos e permitiram, facilitaram ou lucraram com a exploração das filhas, elas respondem por crimes graves previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal. Entre eles:

– Estupro de vulnerável, na forma de participação ou coautoria
– Favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança e adolescente
– Produção e compartilhamento de pornografia infantil
– Corrupção de menores
– Omissão dolosa, quando a mãe tinha o dever legal de proteger e não o fez

No caso descrito, há indícios ainda mais fortes porque uma das mães enviava fotos e vídeos da própria filha e intermediava o contato com o criminoso. Isso caracteriza participação ativa, não apenas omissão. Nessas situações, a Justiça costuma tratar a mãe como parte da rede criminosa, e não como vítima.

A avó citada, que teria “vendido” as netas, também se enquadra no mesmo conjunto de crimes, com agravantes, já que exercia autoridade familiar sobre as crianças.

Já em situações diferentes — por exemplo, se alguma mãe foi enganada, coagida ou não tinha conhecimento real do abuso — a responsabilização pode mudar. Mas isso só é avaliado após depoimentos, perícias e cruzamento de provas.

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