Reconhecimento facial localizou Janaína Reis Miron em unidade de saúde na zona sul
A irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), Janaína Reis Miron, foi presa nesta quinta-feira, 15, após ser identificada pelo sistema de reconhecimento facial Smart Sampa, principal programa de monitoramento e segurança pública da atual gestão municipal. A captura ocorreu por volta das 15h20 em uma Unidade Básica de Saúde localizada na avenida Clara Mantelli, no bairro do Socorro, zona sul da capital.
>> Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp
De acordo com informações da Polícia Militar, o sistema identificou Janaína assim que ela entrou na unidade de saúde, um dos novos pontos incorporados recentemente ao projeto de vigilância da Prefeitura. Após a confirmação da identidade, equipes policiais foram acionadas e realizaram a abordagem no local.

Contra Janaína havia dois mandados de prisão expedidos pela Justiça, decorrentes de condenações pelos crimes de desacato a funcionário público, embriaguez ao volante e lesão corporal. As penas estavam sendo cumpridas em regime aberto, mas o descumprimento de condições impostas pela Justiça levou à expedição das ordens de prisão.
Após a detenção, ela foi encaminhada ao 11º Distrito Policial de Santo Amaro, também na zona sul, onde permaneceu à disposição das autoridades judiciais. A Secretaria de Segurança Urbana informou que todos os procedimentos seguiram os protocolos operacionais do Smart Sampa e da Polícia Militar.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não houve qualquer tipo de tratamento diferenciado no caso e que o sistema atua de forma automática, a partir do cruzamento de imagens com bancos de dados judiciais. A administração municipal ressaltou que o Smart Sampa opera com base em mandados vigentes e não distingue vínculos familiares, políticos ou institucionais.
A prisão ocorre em meio à ampliação acelerada do sistema, que passou a ser instalado não apenas em vias públicas, mas também em equipamentos sensíveis, como unidades de saúde, terminais de transporte e prédios públicos, aumentando o alcance do monitoramento sobre a população.
O episódio expõe uma situação delicada para o prefeito Ricardo Nunes, que tem no Smart Sampa uma das principais vitrines de sua gestão e frequentemente o apresenta como símbolo de eficiência e imparcialidade no combate à criminalidade. Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o caso reforça o discurso oficial de neutralidade do sistema, ao mesmo tempo em que reacende debates sobre vigilância em massa, privacidade e uso político da tecnologia. A prisão de um familiar direto do prefeito transforma o programa em um teste concreto de credibilidade institucional e amplia o escrutínio sobre os limites e impactos do monitoramento digital na maior cidade do país.




