Eles “reinventaram” a maneira de se tocar em grupo o saxofone – instrumento inventado em 1846, pelo luthier belga Adolphe Sax, que logo se tornou “popular” nas bandas militares, nas orquestras e nas big bands.
Trata-se do grupo ‘Sax Bem Temperado’, quarteto formado por saxofonistas de Campinas que, não contentes com a formação instrumental inusitada, ainda adotaram um repertório também atípico para esse tipo de grupo: “clássicos” da música popular brasileira.
Pois o público de Campinas (SP) terá a oportunidade rara de conferir esse trabalho único: dia 9 de setembro, sexta–feira, às 20h, no Sesi Amoreiras (Avenida Amoreiras, 450, Parque Itália), o grupo Sax Bem Temperado vai mostrar esse repertório com Noel, Caymmi, Adoniran, Hermeto, Pixinguinha entre outros, do primeiro CD desse quarteto de saxofones de Campinas especializado em música brasileira – num show com entrada grátis!
No repertório da turnê, o grupo vai tocar temas do primeiro CD do grupo que visa lançar intérpretes, compositores e arranjadores da mais fina flor da música genuinamente brasileira, com ênfase na música instrumental, popular e erudita -, além de novos arranjos sobre temas pertencentes ao que de melhor existe na música popular brasileira.
O primeiro CD do grupo – que leva o nome do quarteto – traz arranjos feitos sob medida para temas consagrados da nossa música, de compositores não menos importantes.
Por exemplo, Noel Rosa (As Pastorinhas e Conversa de Botequim), Pixinguinha (Carinhoso), Dorival Caymmi (Maracangalha), Adoniran Barbosa (Trem das Onze), Severino Araújo (Um Chorinho para Ele) e Tom Jobim e Vinícius de Moraes (Insensatez), além de ‘clássicos’ da música instrumental nacional, de feras como Hermeto Paschoal (Chorinho Pra Ele), César Camargo Mariano (Curumim) e Vitor Assis Brasil (Pro Zeca).
Criado em 2006, pelo músico Flávio Corilow (sax soprano) e hoje formado também por Paulo Henrique Pupo (sax barítono), Vinicíus Corilow (sax tenor) e Ronaldo Marquetti (sax alto), o ‘Sax Bem Temperado’ vem se apresentando em festivais, concertos e colecionando elogios de quem conhece o riscado.
“Eles propõem uma espontaneidade dos arranjos que, na busca de manter o equilíbrio da linguagem brasileira bem-humorada e das possibilidades do saxofone mais atual, mais compenetrado, encontram alguns desafios que acabam expondo o saxofonista na sua forma mais sincera”, resumiu Nailor de Azevedo, da Banda Mantiqueira, mais conhecido no meio musical como “Proveta”, considerado um dos maiores saxofonistas do Brasil.
“O grupo faz jus ao nome. Fico contente em ver jovens se preocupando com a música instrumental brasileira”, também destacou o maestro Cyro Pereira, da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, um dos mais renomados do país.
E como o próprio nome do quarteto diz, os arranjos mostram uma música “no gosto” da culinária nacional: bem temperada, com uma diversidade de ingredientes, condimentos e sabores.
Por exemplo, das “linhas de baixo”, como tradicionalmente são feitas no violão de sete cordas do choro, aos ritmos brasileiros sustentados pelo sax alto e tenor, comparando-se ao cavaco ou ao violão no samba.
“Essas e outras características da música popular brasileira não foram apenas transportadas para uma instrumentação diferente, mas, sim, foram ampliadas, modificadas e se juntaram a características de outros estilos”, diz Flávio Corilow, sax soprano, fundador do quarteto.
Segundo Flávio, os contrapontos partem das linhas de baixo do choro, no caso, feitas pelo sax barítono, e se expandem para todos os instrumentos, lembrando a música do período barroco.
É o caso da interpretação de “Carinhoso”, de Pixinguinha, na qual se nota, por exemplo, o emprego de técnicas contrapontísticas.
Ou em “Trem das Onze”, de Adoniran Barbos, na qual o ritmo do samba soma-se aos blocos harmônicos típicos das big band norte-americanas.
Eclética, a sonoridade do quarteto “Sax Bem Temperado” remete tanto aos contrapontos muito bem elaborados de Bach, onde as linhas individuais dialogam entre si para compor o resultado final, como também a nossa música popular, que assim como na cozinha brasileira possui uma variedade de ingredientes, condimentos e sabores.
Confira o repertório do show:
– Maracangalha (Dorival Caymmi);
– Chorinho Pra Ele (Hermeto Pascoal);
– Insensatez (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)
– Trem das Onze (Adoniram Barbosa);
– Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico);
– Curumim (César Camargo Mariano);
– Chorinho Pra Você (Severino Araujo);
– Carinhoso (Pixinguinha);
– As Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro);
– Pico do Selado (Flavio Corilow);
– Pro Zeca (Victor Assis Brasil).
Confira os currículos dos integrantes do ‘Sax Bem Temperado’:
Flávio Corilow (sax soprano): Formado em música popular pela Unicamp, foi bolsista do Festival de Inverno de Campos do Jordão, onde foi aluno do professor David Richards, dos EUA. Apresentou-se como músico convidado na Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas em 1990, 1998 e 2002. Foi selecionado para participar da 3ª Mostra Brasil Instrumental, em Tatuí (SP), em julho de 2006, com o grupo Sax bem temperado. Foi selecionado para gravação de um CD produzido pela Secretaria Municipal de Cultura de Campinas, em novembro de 2006, também com o grupo Sax bem temperado.
Ronaldo Marquetti (sax alto): Formado pelo Conservatório Dr. Carlos de Campos, de Tatuí, aluno do curso de música popular da faculdade Mozarteum, de São Paulo, participou de diversos grupos instrumentais, como a Big Band Curare, a Big Band Canavial, o Grupo Comboio, entre outros. Apresentou-se com a Orquestra Sinfônica de Campinas e gravou com a Orquestra Sinfônica da Unicamp. Lançou os CDs instrumental “Deus é Fiel”, em 2005, e “Único Caminho” em 2007.
Vinicius Corilow (sax tenor): Em 2004, ingressou no curso de Música Popular da Unicamp, onde teve aula com Celso Veagnolli. Em 2005 e 2006, participou do festival de música de Ourinhos (SP, onde foi aluno de Mané Silveira, Vitor Alcântara, Bob Wyatt, dos EUA, Cleber Almeida e outros. Participou dos projetos “Música no Rosário”, de Campinas, e Brasil Instrumental, de Tatuí, do CD “Trem de Ferro”, do grupo Catambá, e já se apresentou com o baterista Duda Neves. Participa do quarteto de saxofones “Sax Bem Temperado”, da banda “Hijos de Fidel”, do Coletivo Orquestral Unicamp, entre outros grupos.
Paulo Pupo (sax barítono): Estudou com alguns dos principais saxofonistas brasileiros, como Roberto Sion e Nailor de Azevedo (o “Proveta”). Participa dos grupos Banda Lira Itapirense, Russo Jazz Band, entre outros. Tem se apresentado em diversas formações com importantes instrumentistas, como o contrabaixista Arthur Maia.
O quê: apresentação do grupo ‘Sax Bem Temperado’.
Quando: 9 de setembro, sexta-feira, às 20h.
Onde: Onde: Teatro SESI Amoreiras. Avenida Amoreiras, 450, Parque Itália, Campinas. Telefones: (19) 3772-4187 / 3772-4668
Entrada grátis. Distribuição de ingressos 1h antes do show, por ordem de chegada.
Censura: Livre:
Duração do espetáculo: cerca de 1h.
Capacidade: 360 lugares.




