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quarta-feira, março 25, 2026
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Relatório do Coaf liga repasses milionários do Banco Master a filho de ministro Kassio Nunes do STF

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Transferências sob suspeita envolvem consultoria, banco em negociação bilionária e conexões com o entorno de ministro do STF, ampliando pressão por esclarecimentos

A consultoria informou que os pagamentos mensais giravam em torno de R$ 25 mil por serviços técnicos. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

Uma consultoria tributária de Teresina (PI) recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025 e transferiu parte dos valores ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques. Os dados constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, revelado por veículos nacionais, e envolvem movimentações ocorridas no mesmo período em que o banco tentava viabilizar sua venda ao Banco de Brasília.

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Segundo o Coaf, a empresa Consult Inteligência Tributária realizou 11 transferências ao advogado, que somam R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025. Kevin Marques declarou que os valores correspondem a serviços de assessoria jurídica prestados ao longo de 11 meses. A consultoria informou que os pagamentos mensais giravam em torno de R$ 25 mil por serviços técnicos.

Conexões empresariais e possível pressão política

A Consult foi criada em 2022 por Francisco Craveiro de Carvalho Junior. Seu filho, Gabriel Campelo de Carvalho, mantém sociedade com Kevin Marques no Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária. De acordo com o relatório, as duas empresas compartilham o mesmo e-mail, o que levanta questionamentos sobre a separação operacional entre os negócios.

O período das transações coincide com as negociações para venda do Banco Master ao BRB — iniciadas no fim de 2024, anunciadas em março de 2025 e posteriormente barradas pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Investigadores avaliam se a circulação de recursos pode ter relação indireta com articulações institucionais ou tentativa de influência em ambientes decisórios.

Especialistas ouvidos sob reserva apontam que, embora os pagamentos tenham sido justificados como honorários, o cruzamento entre relações empresariais e vínculos familiares com um ministro do STF tende a ampliar a pressão política sobre o caso. A apuração deve avançar para verificar a natureza dos serviços prestados e se houve contrapartidas incompatíveis com a atividade declarada.

Até o momento, não há indicação formal de ilegalidade nas movimentações, mas o relatório do Coaf foi encaminhado para análise de órgãos competentes, que poderão aprofundar a investigação sobre eventuais conexões entre interesses privados e decisões institucionais.

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