Os primeiros ônibus BRT – sigla em inglês para Ônibus de Trânsito Rápido – chegaram ontem, mas os corredores nos quais deverão circular só ficarão prontos em três anos. A estimativa foi feita nesta terça-feira (03/07), pelo secretário municipal de Transportes, André Aranha Ribeiro em audiência promovida pela Comissão de Mobilidade da Câmara.
Provocado pelo presidente da comissão, vereador Josias Lech (PT), o secretário disse não temer o desgaste da frota, que terá de rodar num piso sem a qualidade exigida pelos novos veículos. “Os BRTs estão adequados à infraestrutura atual e estarão prontos para a futura infraestrutura, assim como ocorre hoje com os ônibus biarticulados”, afirmou o secretário. Na previsão de Aranha, as obras de construção dos corredores começam no ano que vem e, se não houver nenhum intercorrência, estarão concluídas em 36 meses.
A previsão é de construção de dois grandes corredores – um deles na Avenida John Boyd Dunlop até o Terminal Central e outro fará a linha Ouro Verde/Viracopos. Os BRTs circulação em via exclusiva, com plataformas niveladas ao piso do veículo. O pagamento da passagem será feito fora do veículo, em estações fechadas de embarque e desembarque, construídas especificamente para esse fim.
Os BRTs serão o padrão de veículos que circularão em cidades-sede da Copa do Mundo. Dos 15 veículos previstos, oito chegaram ontem e a expectativa é que até o final do mês comecem a circular do Centro para a região do Campo Grande. Até a instalação da infraestrutura, funcionarão como ônibus comum.
Na audiência, o secretário negou que o prefeito Pedro Serafim (PDT) tenha promovido exonerações com motivações políticas na Emdec. “As alterações foram feitas levando em conta apenas a busca pela eficiência. As substituições foram necessárias. Trouxemos pessoal técnico e de confiança para imprimir um salto de qualidade no serviço, que era a única foma de atingirmos os objetivos a que nos propusemos”, explicou. “Nunca houve desligamentos de funcionários de carreira, Aliás, nós privilegiamos o servidor de carreira no momento de fazer as mudanças”, garantiu.
Aranha informou que a Emdec possui hoje 96 cargos em comissão e, destes, 44 foram preenchidos por funcionários de carreira. Ele disse que foram 28 demissões e 26 contratações. “Não me parece muito (o número e exonerações)| num universo de 820 funcionários”, avaliou.
Aranha também rebateu a critica segundo a qual houve excesso de gastos com as exonerações. “Tivemos de pagar R$ 847 mil com as indenizações, ou seja, um pouco acima dos R$ 806 mil pagos em exonerações em 2011”, argumentou.
O secretário negou que o repasse aos concessionários tenha sido paralisado por oito dias, por conta da mudança de pessoal, gerando graves prejuízos aos serviços prestados. “Houve uma interrupção de apenas dois dias por problemas nos equipamentos, mas fizemos um levantamento e verificamos que esse era um problema comum na Emdec. Tivemos pelo menos 15 atrasos maiores nos últimos anos”, afirmou.
Aranha rebateu também a acusação de Josias Lech, que disse ter recebido denúncias de funcionários segundo as quais a atual Administração teria instalado “clima de terror” na Emdec. “O que a gente observa não é isso. O clima que temos hoje é justamente o contrário. Até convido o Sr. a nos fazer uma visita”, respondeu Aranha.
Autor do requerimento que pediu os esclarecimentos do secretário, Josias Lech disse não ter ficado completamente satisfeito. “Em relação às políticas públicas, ele tentou mostrar que está tudo caminhando, mas não me convenci a respeito da inquietação manifestada pelos funcionários. Vou continuar atento, porque temos de proteger os quadros, especialmente os servidores de carreira”, finalizou o vereador.




