Poluição, barulho, stress e violência são fatores presentes no cotidiano de cada indivíduo que vive em um grande centro urbano. No intuito de fugir do caos oferecido por esses lugares, muitas pessoas optam por migrar para as chamadas áreas verdes. Em Campinas, o local mais atingido por essa urbanização é a Unidade de Conservação do tipo APA (Área de Proteção Ambiental) de Sousas e Joaquim Egídio.
Devido às suas características naturais, culturais e históricas, esta região de
Campinas vem sofrendo uma especulação imobiliária muito forte, que acarreta em um processo intenso de urbanização comandado por um ‘marketing verde’. “Com a forte influência do mercado e da mídia, que cria expectativas no
imaginário social coletivo, muitas pessoas apoiadas no discurso ideológico
ambientalista resolvem buscar tranquilidade e melhorar sua qualidade de vida junto à natureza”, explica o biólogo ambientalista Roberto Lomba. “Com a criação dessa demanda, o mercado imobiliário valoriza cada vez mais essas áreas, a fim de loteá-las e vendê-las, aumentando a especulação em torno das mesmas”.
Nos últimos anos, Sousas e Joaquim Egídio vêm sofrendo um inchaço por causa da urbanização e os distritos estão tendo que se adaptar a tal processo. No último mês, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) teve que retirar cerca de 40 vagas de estacionamento do centro de Sousas para a melhoria do tráfego de veículos no local. “Essas ruas são muito estreitas, não dá para passar dois ônibus juntos. O trânsito está cada vez pior”, relata o estudante André Coelho.
A maioria da população que chega para morar nos distritos se instala nos condomínios ou loteamentos fechados. O maior loteamento da região de Campinas, o ‘Caminhos de San Conrado’, abriga hoje 7,5 mil pessoas. Se não bem planejados de acordo com as normas ambientais da APA, esses condomínios fechados podem gerar impactos extremamente nocivos à região.
“O desmatamento para realização dos loteamentos, por exemplo, pode danificar o solo, além de fazer com que os animais fiquem sem seu habitat natural, sendo muito frequente o atropelamento dos mesmos nas estradas que dão acesso a essas regiões”, diz Lomba. “Cada ação e projeto de urbanização dentro das APAs deve ser bem analisado. São necessários muitos estudos de zoneamento ambiental, que devem ser realizados antes do início de um empreendimento urbanístico. Preocupadas em apenas lucrar, muitas imobiliárias se esquecem disso”, conclui.




