Relatório da CGU, cobrança do Supremo e reação nas redes ampliam pressão sobre recursos públicos ligados à Fundação Oásis

O pastor André Valadão intensificou nesta semana sua reação pública após a divulgação de relatório da Controladoria-Geral da União que aponta irregularidades no uso de recursos de emenda parlamentar destinados à Fundação Oásis, entidade vinculada à Igreja Batista da Lagoinha. O caso envolve cerca de R$ 700 mil que teriam sido aplicados no mercado financeiro sem projeto definido.
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Os recursos foram indicados pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) a partir de emenda destinada à Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo a CGU, a transferência ocorreu sem chamamento público e com a entidade em situação fiscal irregular à época, além da ausência de um plano formal para execução do dinheiro público.
O relatório aponta que os valores permaneceram em conta de investimento durante o período de regularização da ONG, o que levantou questionamentos sobre a finalidade e a legalidade da aplicação dos recursos. A controladoria também destacou que a indicação direta da entidade pelo parlamentar contraria normas previstas na legislação.
A controvérsia ganhou novos contornos após a citação de nomes ligados ao caso do Banco Master. O pastor Fabiano Zettel, mencionado em investigações paralelas, é casado com integrante da família do empresário Daniel Vorcaro. Apesar disso, documentos indicam que os repasses analisados não foram direcionados à unidade específica, mas à Fundação Oásis, vinculada à estrutura central da igreja.
Em meio à repercussão, Valadão publicou vídeos nas redes sociais afirmando ser alvo de acusações falsas. “Se tem uma coisa que a vida ensina é que quem vive com propósito também vai ouvir coisas que não são verdade sobre si”, declarou. Em outra publicação, sugeriu traições internas ao afirmar que “traição vem de perto”.
O senador Carlos Viana também se manifestou, negando irregularidades. “Primeiro, nós não mandamos dinheiro para igrejas. Você manda dinheiro para as prefeituras”, disse em vídeo. Documentos analisados pela CGU, porém, registram que a própria prefeitura informou que a entidade beneficiária foi indicada diretamente pelo parlamentar.
No campo institucional, a Lagoinha Global divulgou nota afirmando que as unidades possuem autonomia administrativa e que não tinha conhecimento de movimentações atribuídas a Zettel. A estratégia é interpretada por interlocutores como tentativa de dissociar a cúpula da igreja das investigações em curso.
A pressão aumentou após o avanço do caso no Supremo Tribunal Federal. Em decisão recente na ADPF 854, o ministro Flávio Dino determinou prazo para que o Senado e o próprio parlamentar prestem esclarecimentos sobre repasses que, somados, chegam a R$ 3,6 milhões destinados à fundação em diferentes anos.
A investigação envolve o uso de chamadas “emendas Pix”, mecanismo que permite transferências diretas, e levanta dúvidas sobre transparência, critérios de escolha de entidades e possível uso político dos recursos. Nos bastidores, o episódio é visto como potencial foco de desgaste tanto para lideranças religiosas quanto para agentes políticos, especialmente em um cenário pré-eleitoral.
Enquanto as apurações avançam, o caso passa a ser observado como possível instrumento de pressão política, com impactos que podem ultrapassar o campo religioso e atingir diretamente a disputa por influência entre grupos conservadores e instituições públicas.




