Escalada militar dos EUA pressiona soberania mexicana e amplia tensão política na América Latina
Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que o governo americano planeja começar ataques terrestres contra cartéis de drogas que atuam no México, em uma escalada militar que segue meses de operações marítimas no Caribe e no Pacífico e a recente ação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
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Em entrevista à emissora Fox News, Trump declarou que “vamos começar agora a atacar por terra os cartéis” e acusou essas organizações de “controlarem o México” e de causarem milhares de mortes nos Estados Unidos por causa das drogas, sem apresentar dados oficiais que confirmem os números citados.

Segundo o presidente americano, os esforços navais teriam interrompido grande parte do tráfico marítimo e agora seria a vez de intensificar operações em solo, visando desarticular as estruturas criminosas onde quer que estejam instaladas. Ele disse que já teria perguntado à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, se o México desejava ajuda militar dos EUA para combater o narcotráfico, afirmando que “o México precisa se organizar”.
A declaração ocorre em um momento de forte pressão militar dos Estados Unidos na América Latina, após a operação na Venezuela que culminou na detenção de Maduro e sua transferência para Nova York sob acusações ligadas ao narcotráfico. Trump em seguida indicou que ações semelhantes poderiam ser direcionadas a outros países, como Colômbia e Cuba.
Resposta do México e tensão diplomática
O governo mexicano, porém, rejeitou a ideia de qualquer intervenção militar estrangeira em seu território, reafirmando que a soberania do país é inegociável e que cooperação pode ocorrer apenas em termos de inteligência e ações conjuntas respeitando a jurisdição mexicana. A presidente Claudia Sheinbaum já afirmou que “a América não pertence aos Estados Unidos nem a uma doutrina” e que o México não permitirá presença de tropas americanas em solo nacional.
Analistas apontam que um ataque terrestre dos EUA no México, país parceiro em diversas frentes, incluindo segurança e comércio, seria um precedente sem precedentes e poderia provocar uma crise diplomática profunda, desafiar princípios de direito internacional e gerar repercussões políticas e sociais em toda a região.
A ameaça americana de atacar cartéis em território mexicano marca uma escalada inédita na política externa dos EUA contra o narcotráfico, intensificando uma disputa que já tensiona relações bilaterais, questiona a soberania nacional e realça divisões sobre o uso de força militar além-fronteiras. A proposta enfrenta rejeição aberta do governo do México e levanta dúvidas sobre implicações legais, riscos humanitários e estabilidade regional.




