Iniciativa anunciada em Davos prevê reconstrução total do território palestino e provoca reação na diplomacia internacional
Com críticas diretas à Organização das Nações Unidas e a apresentação de um ambicioso plano de reconstrução da Faixa de Gaza, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira o chamado “Conselho da Paz”. A iniciativa foi anunciada durante cerimônia realizada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e já provoca controvérsia entre governos e organismos internacionais.
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Criado pelo governo norte-americano, o conselho terá a função de supervisionar ações relacionadas à paz e à reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo Trump, o grupo terá autorização ampla para atuar não apenas no território palestino, mas também em outras regiões que venham a ser definidas futuramente. Em seu discurso, o presidente afirmou que Gaza será “desmilitarizada e lindamente reconstruída”, em um projeto batizado por sua equipe de “Nova Gaza”.

A cerimônia contou com a presença de cerca de 30 dos 60 líderes mundiais convidados para integrar o conselho. Entre os chefes de Estado e de governo que assinaram o documento de criação do grupo estavam representantes da Argentina, Paraguai, Azerbaijão, Hungria, Indonésia e Kosovo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado a participar da iniciativa, mas ainda não respondeu oficialmente ao convite.
Durante o evento, Trump voltou a atacar a ONU, afirmando que a organização desperdiçou seu potencial ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, declarou que o novo conselho dialogará com outros organismos internacionais, inclusive com a própria ONU. Para críticos da iniciativa, a criação do Conselho da Paz representa uma tentativa de esvaziar o papel das Nações Unidas na mediação de conflitos internacionais, especialmente no Oriente Médio.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o conselho não será apenas simbólico e terá foco em ações concretas. Segundo ele, a proposta é acelerar decisões políticas e econômicas que, na avaliação do governo norte-americano, estariam travadas em fóruns multilaterais tradicionais.
Nova Gaza e os interesses por trás da reconstrução
Na mesma cerimônia, o conselheiro presidencial Jared Kushner apresentou o plano de reconstrução da Faixa de Gaza. O projeto prevê a construção de uma fileira de arranha-céus, centros financeiros e polos turísticos ao longo da costa do território palestino, transformando a região em um novo eixo imobiliário e econômico do Oriente Médio. A proposta ignora, até o momento, questões centrais como a soberania palestina, o retorno de deslocados e o papel das autoridades locais na gestão do território. Nos bastidores do fórum, diplomatas e analistas avaliam que o plano pode abrir espaço para grandes grupos imobiliários e financeiros internacionais, ao mesmo tempo em que reposiciona os Estados Unidos como protagonista direto na reorganização política e econômica de Gaza, fora dos marcos tradicionais do sistema multilateral.




