Temporão esclarece que a vacina contra o vírus não oferece nenhum risco de transmissão de Aids
Nota da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revela que as pessoas que tomaram a vacina H1N1, contra a nova gripe, podem ter resultado positivo para HIV mesmo sem ter o vírus que provoca a Aids. Segundo o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) do Ministério da Saúde, o falso resultado positivo pode ocorrer até 112 dias após a pessoa ter se vacinado contra a gripe.
O problema já havia sido detectado pela Anvisa em março, mas foi abordado apenas na sexta-feira (21) pelo DST/Aids. Na nota de março, a agência dizia que “podem ser obtidos resultados falso-positivos em testes imunoenzimáticos para detecção de anticorpos contra o vírus da Imunodeficiência Humana 1 (HIV 1), o vírus da Hepatite C e, especialmente, HTLV-I, devido à produção de IgM em resposta à vacina contra Influenza A(H1N1)”.
Isso ocorre porque a vacina contra a gripe aumenta a produção de um anticorpo, chamado de IgM (o primeiro batalhão de defesa do organismo), que “engana” o Elisa, o teste mais comum feito no Brasil para diagnosticar o vírus da Aids. Essa reação faz o organismo reproduzir uma condição parecida com aquela de quem tem o vírus HIV.
Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, o ministro da Saúde José Gomes Temporão alertou sobre o falso resultado positivo. “Quando acontece esse falso positivo, que são casos raros, qual é a consulta? É muito simples: isso só acontece dentro de 30 dias a partir do momento que a pessoa tomou a vacina. Dando positivo, ela vai refazer esse teste, com um teste mais sofisticado, e esse vai dar, com certeza, se ela é positivo ou não”, afirmou. Temporão fez questão de esclarecer que a vacina contra H1N1 não oferece nenhum risco de transmissão de HIV.
Começa vacinação em crianças de 2 a 4 anos
Crianças com idades entre 2 e 4 anos e 11 meses podem se vacinar contra a nova gripe a partir desta segunda-feira (24). Até agora, apenas as crianças que tivessem entre seis meses e dois anos haviam sido imunizadas contra o vírus.
A decisão de ampliar a vacinação para mais este grupo foi anunciada na sexta-feira por Temporão. Ele também anunciou o adiamento do final da campanha de vacinação contra a gripe A (H1N1) para o dia 2 de junho. Segundo o ministro, a vacinação está aberta para adultos com idades de 30 a 39 anos e gestantes, além das crianças.
Os grupos das gestantes e pessoas com 30 a 39 anos foram os únicos que ainda não atingiram a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é vacinar 80% da população estimada em cada um dos grupos. Até agora, 61 milhões de pessoas foram imunizadas.
Duas etapas
A vacinação para as crianças será feita em duas etapas. Depois de tomar a primeira meia dose, elas devem voltar ao posto de saúde após 21 dias e tomar a segunda metade. Segundo o ministério, para a inclusão da nova faixa etária o governo irá lançar mão de 10,8 milhões de doses da vacina.




