Filho do presidente não investigado no caso INSS e advogado pede abertura de investigação interna sobre os vazamentos
O advogado Marco Aurélio de Carvalho avalia que as menções ao nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na investigação da Polícia Federal sobre fraudes em aposentadorias do INSS escancararam uma disputa de poder dentro da própria corporação. No diagnóstico feito por ministros do Planalto, o episódio não se resume ao conteúdo da apuração, mas revela uma “guerra interna” entre grupos da PF, com interesses conflitantes e reflexos diretos no ambiente político e institucional do governo.
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O entendimento no núcleo do Executivo é de que a Polícia Federal passou a representar mais um flanco de instabilidade a ser administrado, em um momento de alta sensibilidade política. Os vazamentos seletivos de trechos da investigação, segundo auxiliares presidenciais, contribuíram para ampliar o desgaste público sem que haja imputação formal de responsabilidade ao filho do presidente.

A reação mais contundente partiu do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e que já atuou na defesa de Lulinha. Ele anunciou que irá acionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para solicitar a abertura de investigação interna sobre os vazamentos. A avaliação é de que houve exposição indevida de informações sensíveis, sem lastro probatório, em dinâmica semelhante à observada durante a Operação Lava Jato.
De acordo com a própria Polícia Federal, o nome de Fábio Luís aparece apenas em diálogos de terceiros interceptados no curso da apuração, que investiga possíveis vínculos com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como líder do esquema de fraudes. A corporação ressaltou formalmente ao Supremo Tribunal Federal que não há indícios de participação direta do filho do presidente, nem procedimento investigativo aberto contra ele.
Apesar disso, o efeito político foi imediato. No Congresso, parlamentares da oposição retomaram a defesa da convocação de Lulinha para depor na CPI do INSS, cuja retomada está prevista para fevereiro, após o recesso. Nos bastidores, a estratégia é explorar o impacto político da simples menção ao sobrenome presidencial, criando ambiente favorável à ampliação dos depoimentos, independentemente da posição oficial da PF.
O próprio presidente Lula já havia se manifestado publicamente sobre o tema em dezembro, ao afirmar que não interferirá em investigações e que eventuais responsabilidades, mesmo envolvendo familiares, devem ser apuradas. A fala buscou sinalizar distanciamento institucional, mas não foi suficiente para conter a leitura de que o caso se transformou em instrumento de pressão política e disputa interna dentro do aparato estatal.
A avaliação no Planalto é de que o episódio expõe fragilidades no controle de informações sensíveis e reforça a necessidade de reorganização interna na Polícia Federal, em um cenário no qual investigações criminais, disputas corporativas e interesses políticos passaram a se cruzar de forma explícita.
Poder dentro da Polícia Federal
O caso ocorre em meio a um contexto de reconfiguração de poder dentro da Polícia Federal desde o início do terceiro mandato de Lula. Mudanças em cargos estratégicos, redistribuição de equipes e disputas por protagonismo em grandes investigações têm alimentado tensões internas. Paralelamente, a CPI do INSS se consolidou como um dos principais palcos de embate entre governo e oposição, com potencial de explorar politicamente investigações ainda em curso, mesmo sem acusações formais.




