De acordo com a Polícia Federal (PF), o marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado

A Universidade Estadual de Campinas foi palco de uma falha grave de biossegurança: amostras de vírus retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia percorreram cerca de 350 metros dentro do campus, entre o Instituto de Biologia e a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), e só foram localizadas 40 dias depois pela Polícia Federal. Entre os materiais estavam cepas de Influenza A H1N1 e Influenza A H3N2.
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Uma pesquisadora foi presa em flagrante e responderá em liberdade por furto, transporte irregular de material biológico e por expor a saúde pública a risco. O marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado. A defesa da docente afirma que não há materialidade e que ela utilizava outros laboratórios por falta de estrutura própria.
Segundo a PF, não houve contaminação externa e todas as amostras permaneceram dentro da universidade, sendo posteriormente encaminhadas ao Ministério da Agricultura, que mantém sob sigilo detalhes sobre os agentes envolvidos.
O trajeto feito com os vírus — cerca de quatro minutos a pé — passa por áreas de circulação intensa de estudantes, incluindo corredores, salas de aula e espaços comuns. Apesar da repercussão, professores e funcionários evitam falar publicamente sobre o caso.
Falhas internas e risco institucional
A investigação aponta fragilidades no controle de acesso a laboratórios de alto risco dentro da universidade. O material furtado estava em um ambiente classificado como nível 3 de biossegurança, o mais elevado permitido no Brasil para estudo de agentes infecciosos, com protocolos rigorosos de contenção.
Mesmo assim, as amostras foram encontradas distribuídas em diferentes pontos: freezers lacrados na FEA, tubetes manipulados em laboratório do próprio Instituto de Biologia e frascos descartados em lixeiras. Há indícios de que a pesquisadora acessava os espaços com autorização informal de outros profissionais, o que amplia o alcance das apurações.
Nos bastidores, o caso levanta questionamentos sobre governança e rastreabilidade de material sensível em instituições públicas de pesquisa. A circulação de vírus fora dos protocolos, ainda que sem vazamento externo, expõe brechas que podem comprometer credibilidade científica e parcerias internacionais.
Cronologia do caso
13 de fevereiro: desaparecimento das amostras no Instituto de Biologia
23 de março: PF realiza buscas e encontra parte do material na FEA
24 de março: restante é localizado em outros laboratórios da universidade
25 de março: PF confirma investigação sobre o marido da pesquisadora
A apuração segue em curso e deve avaliar responsabilidades individuais e possíveis falhas sistêmicas nos controles internos da universidade.




