
A corrida de rua vem ganhando uma legião de adeptos nos últimos anos no Brasil. Acredita-se que isto se deve ao fato desta atividade física ser capaz de proporcionar inúmeros benefícios à saúde como a perda de peso e melhoria na condição cardiorrespiratória, mas também pelo fato de ser praticada em qualquer lugar e com equipamentos mais simples que aqueles necessários para a participação num esporte coletivo, por exemplo.
Esses novos adeptos fizeram com que muitos profissionais de Educação Física passassem a atuar com a orientação do treinamento de corrida e também com a organização de eventos de corrida de rua. Entretanto, um dos assuntos que ainda geram muita controvérsia no que diz respeito à corrida é a dos tipos mais comuns de lesões que afetam os corredores e o que fazer para preveni-las, além da polêmica em torno dos melhores calçados esportivos que devem ser utilizados para esta prática.
Por muito tempo se pensou que o maior número de lesões envolvia a articulação do joelho. Entretanto, numa revisão de literatura mais recente (Lopes, Hespanhol Junior, Yeung e Costa, 2012) evidenciou-se que as principais lesões para corredores envolvem a síndrome do estresse tibial medial (conhecida canelite), a tendinopatia do tendão calcâneo e a fasceíte plantar, nenhuma delas, portanto, na articulação do joelho. Somente para aqueles que correm provas de ultra-maratona é que a síndrome patelofemural, que se dá na articulação do joelho, aparece como a segunda maior causa de lesão.
O calçado esportivo adequado é aquele em que o corredor se adapta melhor, independente do sistema de amortecimento. Isto porque o melhor sistema de amortecimento que existe é aquele coordenado pelo próprio aparelho locomotor. Atualmente sabe-se que os músculos têm total capacidade de absorver o impacto e utilizá-lo para produzir força, sem depender do calçado esportivo para isto. Então, o que deve ser considerado para minimizar a ocorrência de lesões? Simples, o adequado planejamento da atividade física para que o músculo não falhe e cumpra seu papel protetor no aparelho locomotor.
Fontes: Professora Doutora Maria Claudia Vanícola e Professora Doutora Katia Brandina




