Marina e Campos
Festejada como jogada de mestre, a entrada da ex-senadora Marina Silva no Partido Socialista Brasileiro (PSB), de Eduardo Campos, depois de o registro da Rede Sustentabilidade ter sido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já suscita dúvidas sobre a convivência entre os dois projetos. Marina, que há seis meses em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, disse não haver diferença, para ela, entre Campos, Dilma e Aécio, traz um saldo de 20 milhões de votos para presidência em 2010. E dificilmente abrirá mão deste cacife para ser vice de Campos. Os dois em entrevistas já afirmam haver duas possibilidades de candidatura.
Bomba atômica
Reconhecida internacionalmente pelo seu passado como defensora do meio ambiente Marina Silva (e seus marineiros) terá de conviver agora com antagonistas nesta batalha. Ao redor do PSB figuram, por exemplo, o líder ruralista Ronaldo Caiado, do Democratas, Paulo Bornhausen, entre outros. Sem contar que, além deles, a ex-senadora que é, inclusive, contrária às usinas hidrelétricas, vai ter de conviver também com Roberto Amaral, político que defende o uso da energia nuclear no país. Se ganhar a cabeça da chapa, ou seja, se for candidata à Presidência pelo PSB, aposta-se que ela fará um grande esforço para a convivência pacífica com os antagonistas do passado, mas agora companheiros.
Estupefato
Na órbita de Marina Silva desde que ambos saíram do Partido dos Trabalhadores, o ex-deputado Luciano Zica, usou numa rede social, o termo ‘estupefato’ para explicar seu sentimento com a filiação de Marina ao PSB. Zica tem sido parceiro da ex-senadora há anos e trabalhava firmemente para a criação do Rede Sustentabilidade. Com a nova postura de Marina – com a qual discorda – Zica deu até entrevista a um jornal de circulação nacional dizendo que “fez papel de bobo”. Ele também não acredita que o candidato à Presidência da República pela coligação seja mesmo Eduardo Campos. Em uma entrevista à Rádio CBN, no dia 9 de outubro, Zica discordou também do argumento de Marina dando conta que o Rede não se tornou realidade por enquanto em razão do comportamento dos cartórios em rejeitar fichas. Para ele isso não aconteceu e ‘muito menos’ o governo federal teve qualquer participação na rejeição do registro da Rede.
Palanque de Jonas
Embora diga que transita bem tanto no governo federal quanto no estadual, o prefeito Jonas Donizette terá de ‘bailar’ para permanecer ‘de bem com todos’, na próxima campanha eleitoral, tanto em relação à disputa pela Presidência quanto para o governo do Estado. Como fará para estar em três palanques (o de Dilma, o de Aécio e o de Campos/Marina)? E mais que isso, como ficará a relação com seu parceiro Alckmin disputando o governo de São Paulo? Pode até ser que o PSDB e o PSB fechem parceria em São Paulo, mas se não fecharem, Campinas pode correr riscos.
Será Aécio, ou será Serra?
Analistas de diferentes matizes políticas concordam que com a união Marina/Campos o principal prejudicado tenha sido mesmo o potencial candidato tucano Aécio Neves. Há quem diga que Aécio jogará a toalha em benefício do ‘sempre candidato a qualquer cargo’ José Serra. A decisão se daria principalmente pelo fato de o partido ter dúvidas se Geraldo Alckmin vencerá a eleição para o governo do estado de São Paulo e, também porque o ministro Fernando Pimentel ter aparecido na preferência dos mineiros para a corrida ao governo de Minas Gerais. Os tucanos temem perder os dois estados e a corrida à Presidência. Sendo assim, Aécio disputaria o executivo de Minas Gerais.
Simões é federal
Renato Simões, secretário nacional de Movimentos Populares do PT, assume a vaga do deputado federal José Genoíno, em Brasília. Com 63,7 mil votos obtidos na última eleição, Simões ocupava o posto de segundo suplente. Com a licença médica de Genoíno e pelo fato de o primeiro suplente, Hélcio Silva, ter se declarado impedido por conta de seus compromissos como vice-prefeito de Mauá, Renato Simões assumiu no dia 9 de outubro o posto de deputado federal representando Campinas no Congresso.
Reunião
Antes de assumir como federal, Simões se reuniu com a bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal de Campinas. A reunião teve como propósito se inteirar dos projetos dos vereadores petistas relacionados ao governo federal, como a campanha por uma universidade federal em Campinas, o combate à violência contra a mulher e ao racismo. A pauta também inclui a relação do mandato com as questões sociais de Campinas e sua Região Metropolitana, os movimentos sociais e a oposição ao governo Jonas Donizette.
Base
O vereador Artur Orsi, do PSDB, partido que divide o comando de Campinas com o prefeito Jonas Donizette, surpreendeu de certo modo ao criticar, da Tribuna da Câmara, na sessão do dia 8 de outubro, os planos da Administração de alterar a cobrança de ITBI. Há quem diga que sua crítica ecoou muito mal no Palácio dos Jequitibás. Orsi, por sua vez, entende que o fato de ser do PSDB não o impede de tecer e expressar seu ponto de vista contrário às decisões quando não concordar com elas.




