O contemplativo, o cotidiano, os canaviais, os trabalhadores, a vida sofrida, o doce, o amargo, enfim, cenas marcadas por sentimento e história estão em ‘The Sweet and Sour Story of Sugar’ (‘Açúcar: Um Doce Meio Amargo’): exposição internacional e itinerante, inédita no Brasil, que chega como um dos destaques do Festival de Fotografia Hercule Florence. A mostra permanece em cartaz de 9 de outubro a 9 de novembro no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC), com entrada franca.
A edição local é realizada pelo Instituto Plataforma Brasil, com curadoria conjunta da jornalista e historiadora holandesa Stijntje Blankendaal e do arquiteto Giancarlo Latorraca, atual diretor técnico do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.
O conceito do projeto ‘The Sweet and Sour Story of Sugar’ foi desenvolvido pela fundação holandesa Noorderlicht, e reúne seis renomados fotógrafos de vários países (Alejandro Chaskielberg, Ed Kashi, Francesco Zizola, James Whitlow Delano, Tomasz Tomaszewski e Carl De Keyzer) que retrataram a produção do açúcar no Brasil, na Holanda, na Indonésia e no Suriname, países interligados pela história colonial holandesa. Nesses quatro países estão sendo realizadas edições locais, cada uma com seu foco nas questões regionais e seu vínculo com o mundo.
A exposição propõe uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro deste produto tão importante na história da humanidade e seu papel na globalização do mundo de hoje.
Raízes
O cultivo do açúcar está nas raízes do Brasil, trazido pelos colonizadores no século 16. Como o historiador Evaldo Cabral de Mello escreveu no texto ‘Um doce meio amargo’: O açúcar inventou uma paisagem originalíssima, marcada pelos canaviais e pelo decantado “triângulo rural”, a casa grande e a senzala, a capela e a fábrica, mas também depredou o meio físico, empobreceu o solo, poluiu as águas dos rios e devastou a mata atlântica. Ele desenvolveu um estilo de vida que marcou a existência de todas as camadas da população que integrou, reservando, contudo, seus privilégios a uns poucos.
O doce calórico ajudou as sociedades urbanas europeias a crescer a um nível nunca visto antes das conquistas das colônias nos trópicos, terra fértil para a produção da cana-de-açúcar, que tornou-se o produto mais valioso comercializado mundialmente. Assim, Holanda, Brasil, Suriname e Indonésia são países historicamente interligados pelo açúcar.
A Holanda, depois de ser expulsa do Brasil em 1654 pelos portugueses, passou a cultivar a cana no Suriname e na Indonésia (Nederlands Indië). Finalmente, o país passou a produzir seu próprio açúcar a partir da beterraba, cultivada em suas terras argilosas. O açúcar da beterraba cresceu fortemente no século 20, mas declinou com a diminuição dos subsídios agrícolas na União Européia. Muitos agricultores pararam de produzir e as fábricas fecharam.
No Suriname, restaram somente as sombras da produção, feita pelas mãos de escravos e imigrantes que depois chegaram.
Na Indonésia – atualmente o segundo maior importador de açúcar – as fábricas do século 19 milagrosamente ainda estão em atividade.
No Brasil, ao contrário, o açúcar e seus derivados como o etanol, estão em pleno desenvolvimento. O país tornou-se o maior exportador do mundo. Portanto, deve encontrar um caminho sustentável para este doce meio amargo.
Debate
Paralelo à exposição haverá um debate no dia 18 de outubro, aberto ao público, sobre a sustentabilidade no setor açucareiro, com o Prof. Dr. Edgar G. F. de Beauclair do Departamento de Produção Vegetal – Planejamento e Produção de Cana-de-Açúcar da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), o economista Ladislau Dowbor (Professor do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP) e representantes do setor do açúcar. O debate está sendo organizado pela CIESP Campinas.
Por meio da Secretaria de Educação, os alunos das escolas do Ensino Fundamental e Ensino Médio de Campinas visitarão a exposição e serão convidados a fazer minidebates sobre o papel do açúcar, um doce tão amado pelo povo brasileiro.
Serviço
Exposição “The Sweet and Sour Story of Sugar”
Fotógrafos: Alejandro Chaskielberg, Ed Kashi, Francesco Zizola, James Whitlow Delano, Tomasz Tomaszewski e Carl De Keyzer
Abertura: 9/10 às 19h
Período: 9/10 a 9/11
Local: MACC (Museu de Arte Contemporânea de Campinas “José Pancetti”)
Endereço: Av. Benjamin Constant, 1633 – térreo – Centro – Campinas (ao lado da Prefeitura)
Telefones: 19 3236-4716 e 19 2116-0346
Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 9h às 17h. Sábados, das 9h às 16h. Domingos e feriados, das 9h às 13h.
Debate
Sustentabilidade no setor açucareiro
Participantes: Prof. Dr. Edgar G. F. de Beauclair, do Departamento de Produção Vegetal – Planejamento e Produção de Cana-de-Açúcar da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-USP); o economista Ladislau Dowbor (Professor do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP) e representantes do setor do açúcar.
Quando: 18 de outubro, 14h30 às 17h30
Local: CIESP Campinas
Endereço: R. Padre Camargo Lacerda, 37. Campinas
Entrada franca
Promoção: CIESP Campinas
Mais informações sobre o festival:
Site: http://www.festivalherculeflorence.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/FestivalHerculeFlorence?fref=ts





