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Galo e esposa sofrem prisão arbitrária, denuncia advogado

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Segundo o advogado Jacob Filho, a prisão de Gessica é ainda mais absurda, uma vez que ela não estava no ato do dia 24 e tem uma filha de 3 anos.

 

 

 

Após comparecer, nesta quarta-feira (28), para depor à Polícia Civil sobre o protesto no qual uma estátua do bandeirante Borba Gato foi incendiada, no último sábado (24), em São Paulo, o líder dos entregadores antifascistas, Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Galo, teve a prisão preventiva decretada. A esposa dele, Gessica, que o acompanhava, também foi detida.

A decisão da Justiça foi classificada como “injustificada e arbitrária” pelo advogado Jacob Filho, que representa o casal. “Foi um crime que não deixou vítimas e não tem razão alguma para você prender. E vou um pouco mais além: perceba que o Danilo veio aqui, ele estava junto com Paulo no ato e não está preso. Qual a razão jurídica disso?”, afirmou o advogado à Carta Capital, referindo-se a outro participante do protesto, Danilo da Silva Oliveira, chamado de Biu pelos amigos.

 

Segundo Jacob Filho, a prisão de Gessica é ainda mais absurda, uma vez que ela não estava no ato do dia 24 e tem uma filha de 3 anos. “A prisão dela contraria, por razões mais do que óbvias, o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que diz que mães não devem ser presas em situações dessa natureza vilipendiando o seio familiar. É uma arbitrariedade”, argumentou.

Ao chegar ao 11º Distrito Policial de Santo Amaro, em São Paulo, Galo disse que o objetivo do grupo que fez o protesto foi o de abrir um debate na sociedade brasileira. “Em nenhum momento aquele ato foi feito para machucar alguém ou causar pânico na sociedade. Aquele ato foi feito para poder abrir um debate, e o debate foi aberto. As pessoas agora podem decidir se elas querem uma estátua de 13m de altura que homenageia um genocida e um abusador de mulheres.”

Apesar de ressalvas que possam ser feitas à forma do protesto, o debate proposto por Galo, além de represado na sociedade brasileira, ocorre em todo o mundo. Ao redor do globo, são cada vez mais comuns manifestações contrárias a monumentos que homenageiam figuras que a história tem revelado como promotoras das mais variadas formas de violência, como a escravidão, o racismo e a violência contra mulheres e outras minorias. No ano passado, por exemplo, um protesto na Inglaterra terminou com a derrubada da estátua do traficante de escravos Edward Colston.

 

Quando protestos não são problema

Para a defesa de Galo e Gessica, a prisão do casal é a representação da “alma de um estado autoritário, violento, policialesco e circense”. É possível dizer ainda que há uma perseguição a manifestações de grupos opositores ao governo Bolsonaro, enquanto integrantes da extrema-direita sentem-se à vontade para rasgar a placa em homenagem a Marielle ou destruir homenagens às vítimas de Covid-19.

Como lembrou o canal Pensar a História, “o problema só ocorre quando se destroem os símbolos que glorificam a elite. A destruição dos raros monumentos erguidos em memória da classe trabalhadora nunca suscitou indignação ou falsos debates sobre “preservação da história”.

Como exemplos, o canal cita o Monumento Eldorado Memória — projetado por Oscar Niemeyer para homenagear os dezenove sem-terra mortos durante o Massacre de Eldorado do Carajás e destruído duas semanas depois da inauguração — e o Memorial 9 de Novembro, também de Oscar Niemeyer, construído em memória dos três trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional mortos pelo Exército Brasileiro durante a Greve dos Operários de 1988, que sofreu um atentado a bomba no dia seguinte à inauguração.

 

Da Redação do PT

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