Decisão de Alexandre de Moraes aponta risco elevado de fuga durante vigília convocada por Flávio Bolsonaro e cita padrão de mobilização de apoiadores como possível estratégia para tumultuar a ação policial
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi detido na manhã deste sábado (22) e transferido para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após o ministro Alexandre de Moraes decretar sua prisão preventiva. A medida foi tomada após a PF comunicar a violação da tornozeleira eletrônica e identificar risco concreto de fuga durante a vigília promovida pelo senador Flávio Bolsonaro na noite anterior.
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A decisão que embasou a prisão preventiva aponta que o equipamento de monitoramento foi violado na madrugada deste sábado, fato comunicado pelo Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal. Para Moraes, a ruptura do dispositivo, somada à movimentação de apoiadores em frente ao condomínio onde o ex-presidente estava em prisão domiciliar, caracterizou tentativa de obstrução da fiscalização e possibilidade de evasão.

Outro ponto considerado crucial pelo ministro foi a proximidade da residência de Bolsonaro com o Setor de Embaixadas Sul, cerca de 13 quilômetros de distância, incluindo a embaixada dos Estados Unidos. Segundo o despacho, o trajeto poderia ser percorrido rapidamente, o que ampliaria o risco de fuga em meio à aglomeração convocada por Flávio Bolsonaro, apresentada publicamente como vigília pela saúde do ex-presidente.
No texto da decisão, Moraes afirma que a mobilização repete um “modus operandi” já observado em investigações anteriores, no qual manifestações de apoiadores teriam sido utilizadas para criar confusão, obter vantagens processuais e dificultar ações de fiscalização. O ministro ainda mencionou que a convocação feita pelo senador continha elementos de incitação ao desrespeito a decisões judiciais e às instituições.
Após ser detido por volta das 6h, Bolsonaro foi levado para a Superintendência da PF, onde permanece em uma sala especial destinada a autoridades. Ele passou por exame de corpo de delito realizado no local para evitar exposição. A audiência de custódia está marcada para domingo (23), quando a Justiça avaliará a legalidade e a manutenção da prisão preventiva.
A defesa do ex-presidente ainda não se manifestou sobre a nova ordem de prisão, mas havia solicitado na sexta-feira (21) que ele continuasse no regime domiciliar, alegando condição clínica delicada e risco à vida caso fosse transferido ao sistema prisional.




