Texto viral aponta possível degeneração neurológica e reacende debate sobre capacidade presidencial
Um texto assinado por um médico identificado como Frank George ganhou grande repercussão nas redes sociais e em plataformas de artigos profissionais ao levantar a hipótese de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentaria sinais compatíveis com um quadro de demência — mas não do tipo Alzheimer. A publicação, que circula amplamente em ambientes políticos e jurídicos, reacende um debate sensível sobre saúde mental, poder e riscos institucionais no comando da maior potência militar do planeta.
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No artigo, George contesta a ideia, recorrente entre críticos e analistas, de que eventuais alterações comportamentais de Trump estariam ligadas ao Alzheimer. Para o médico, essa explicação seria genérica, imprecisa e até perigosa. Ele sustenta que os sinais observáveis seriam mais compatíveis com a demência frontotemporal, uma condição neurológica degenerativa que afeta principalmente áreas do cérebro responsáveis por comportamento social, julgamento, empatia e autocontenção.

O autor afirma que a confusão entre Alzheimer e outros tipos de demência é comum no debate público, mas distorce a gravidade do quadro. Segundo ele, a demência frontotemporal não se manifesta prioritariamente por perda de memória recente, mas por mudanças profundas de personalidade, impulsividade, perda de filtros sociais e dificuldade de avaliar consequências — características que, na avaliação do médico, estariam presentes em aparições públicas e discursos do presidente.
Um dos pontos centrais do texto é a noção de confabulação, descrita como a criação involuntária de falsas memórias nas quais o indivíduo acredita genuinamente. George cita como exemplo a insistência de Trump em afirmar que venceu as eleições presidenciais de 2020, apesar do resultado oficial contrário, além de relatos recorrentes de feitos e episódios que não encontram correspondência factual. O médico sustenta que esse comportamento não deveria ser interpretado apenas como mentira deliberada, mas como preenchimento patológico de lacunas cognitivas.
O texto também associa a hipótese neurológica a traços psicológicos que o autor classifica como “narcisismo maligno”, combinação que, segundo ele, ampliaria riscos ao retirar freios internos de julgamento e empatia. A argumentação aponta que a sobreposição entre uma personalidade autoritária e uma doença degenerativa que afeta controle e previsão de consequências criaria um cenário de alta instabilidade, especialmente em alguém com poder de decisão sobre temas militares e estratégicos de alcance global.
Ao longo do artigo, o médico recupera alertas feitos ainda em 2017 por profissionais de saúde mental que questionavam o perfil psicológico de Trump durante seu primeiro mandato. À época, esses alertas foram amplamente criticados sob o argumento de que diagnósticos à distância violariam princípios éticos da psiquiatria. George afirma, no entanto, que o avanço de possíveis sintomas tornaria o debate menos teórico e mais concreto.
Na parte final do texto, o autor enumera sinais que, segundo ele, seriam compatíveis com demência frontotemporal: alterações de postura e marcha, impulsividade, comportamentos socialmente inadequados, perda de decoro, dificuldade de manter linha de raciocínio e alterações na fala. Ele menciona ainda possíveis indícios de afasia progressiva não fluente, com exemplos de trocas de palavras e pronúncias distorcidas atribuídas ao presidente em discursos recentes.
Apesar do tom alarmista, o médico afirma que o agravamento dos sinais teria um efeito paradoxalmente positivo ao tornar o problema visível para um público mais amplo. Para ele, o que antes era ignorado ou relativizado estaria agora ocorrendo “ao vivo”, diante de eleitores, parlamentares e da comunidade internacional.
A viralização do texto reacende um debate delicado sobre os limites éticos da avaliação pública da saúde mental de líderes sem exame clínico direto. Ao mesmo tempo, expõe a crescente politização do tema em um contexto de alta tensão institucional nos Estados Unidos, onde a estabilidade psicológica do presidente passa a ser tratada não apenas como questão pessoal, mas como fator de risco para a segurança global.




