Documentos da CPMI mostram contato do deputado salvo em conta ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Documentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS analisados pela reportagem revelam que o número de telefone do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) aparece entre os contatos associados a uma conta de WhatsApp Business utilizada pelo empresário Daniel Vorcaro, investigado no esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.
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O material tem origem na quebra de sigilo telemático autorizada no curso das investigações e foi encaminhado oficialmente à CPMI como parte dos relatórios técnicos de extração de dados. Em um dos arquivos, identificado como “WhatsApp Business Record”, consta a listagem de contatos vinculados à conta analisada. Entre eles, aparece um número com final 0022, atribuído ao parlamentar mineiro.

A presença do telefone indica que o contato de Nikolas Ferreira estava salvo ou associado à agenda da conta utilizada por Daniel Vorcaro no momento da extração dos dados. O registro é assimétrico e não permite concluir, por si só, que o deputado mantivesse o número do empresário salvo ou que tenha havido troca direta de mensagens, ligações ou qualquer tipo de comunicação entre as partes. O documento também não detalha o conteúdo ou a frequência de eventual contato.
Os relatórios integram o conjunto de provas reunidas pela CPMI do INSS para mapear redes de relacionamento e possíveis articulações entre empresários, associações e agentes políticos citados nas investigações. O material analisado refere-se a apenas uma das linhas telefônicas atribuídas a Daniel Vorcaro, que possui mais de um número e mais de uma conta de WhatsApp vinculada a pessoas físicas e jurídicas relacionadas a seus negócios.
Apontado como dono do Banco Master, Vorcaro teve comunicações submetidas à quebra de sigilo para permitir a reconstrução de fluxos de contatos e conexões institucionais em torno do esquema que aplicou descontos sem autorização em benefícios previdenciários, atingindo milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.
Nos bastidores da comissão, parlamentares apontam a possibilidade de conexões entre o esquema dos descontos ilegais no INSS e o escândalo envolvendo o Banco Master. Nesse contexto, vêm sendo mencionadas relações políticas, empresariais e institucionais ligadas à Igreja Batista da Lagoinha. Nikolas Ferreira é membro e frequentador da igreja, vínculo público já declarado pelo próprio deputado em diferentes ocasiões.
Recentemente, deputados federais acionaram o Banco Central para cobrar esclarecimentos sobre a atuação da Clava Forte Bank S/A, empresa associada à Igreja Lagoinha. O pedido questiona se a instituição possui autorização para operar como banco ou fintech e investiga possíveis vínculos contratuais, operacionais ou societários com o Banco Master ou com pessoas ligadas ao conglomerado.
O requerimento foi contextualizado no âmbito da CPMI do INSS, diante da suspeita de que estruturas financeiras vinculadas a organizações religiosas possam ter sido utilizadas no esquema de descontos indevidos. Tanto a Clava Forte Bank quanto lideranças da Igreja Lagoinha passaram a ser alvo de novos requerimentos apresentados à comissão.
A rede sob investigação
A CPMI do INSS concentra esforços na análise de fluxos financeiros, quebras de sigilo e cruzamento de dados telemáticos para identificar conexões entre empresários, instituições financeiras, associações e agentes políticos. O objetivo é esclarecer como o esquema de descontos ilegais operou, quem se beneficiou financeiramente e quais estruturas institucionais ou privadas podem ter sido usadas para viabilizar as irregularidades.




