18.9 C
Campinas
domingo, maio 3, 2026
spot_img

Lula zera PIS/Cofins do diesel e cria subsídio para conter alta do combustível

Data:

Governo também criou subsídio ao combustível e imposto sobre exportação de petróleo para compensar perda de arrecadação e conter impacto da alta internacional nos preços

Guerra no Irã vem elevando os preços do barril no mercado global. Foto Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta-feira (12) um decreto que zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel no Brasil. Além disso, o governo editou uma medida provisória que cria uma subvenção ao diesel destinada a produtores e importadores do combustível.

<Siga nosso canal no WHATSAPP>

As medidas foram anunciadas como forma de conter o impacto da alta internacional do petróleo, provocada pela guerra no Irã, que vem pressionando os preços da energia no mundo e levando países a liberar estoques estratégicos.

Segundo o governo, o objetivo é evitar que o aumento chegue ao bolso de motoristas, caminhoneiros e consumidores.

“[As medidas são] para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada do alface, da cebola e a comida que o povo mais come”, afirmou Lula durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília.

As ações têm caráter temporário e valerão até 31 de dezembro deste ano.

Redução no preço do diesel

De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, o impacto combinado das medidas deve reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro nas refinarias.

O corte dos impostos PIS e Cofins deve reduzir o valor do litro em aproximadamente R$ 0,32. Já a subvenção destinada a produtores e importadores do combustível deve representar mais R$ 0,32 de redução.

A subvenção, no entanto, estará condicionada à comprovação de que o benefício foi efetivamente repassado ao consumidor final.

Compensação fiscal

Para compensar a perda de arrecadação causada pela redução de impostos e pelo subsídio ao diesel, o governo decidiu instituir uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto.

A expectativa do Ministério da Fazenda é que a nova cobrança gere cerca de R$ 30 bilhões em receitas até o fim do ano.

A estimativa é que o governo deixe de arrecadar cerca de R$ 20 bilhões com a desoneração de PIS e Cofins sobre o diesel, enquanto a subvenção ao combustível deve custar aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos.

Política de preços da Petrobras

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que as medidas não alteram a política de preços da Petrobras nem comprometem a previsibilidade para investidores.

“Não estamos falando de nada que altera estruturalmente o país, nem do ponto de vista fiscal, nem do ponto de vista tarifário”, disse Haddad.

Segundo o ministro, a principal preocupação do governo neste momento é o impacto do diesel sobre a economia.

“A maior pressão que o mercado de combustível sofre hoje vem exatamente do diesel, não vem da gasolina. É com o diesel que nós estamos mais preocupados pelo fato do diesel afetar as cadeias produtivas de maneira muito enfática. Toda a colheita que está sendo feita agora da safra brasileira depende do diesel”, afirmou.

Fiscalização e combate a abusos

O governo também publicou um segundo decreto, de caráter permanente, que cria instrumentos para ampliar a fiscalização e a transparência no mercado de combustíveis.

A medida pretende combater aumentos abusivos de preços e práticas especulativas por parte de distribuidores.

De acordo com Haddad, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá definir critérios objetivos para caracterizar práticas abusivas.

“Nós criamos dois novos tipos para caracterizar a abusividade do distribuidor, tanto no caso de um armazenamento de combustível injustificado quanto do aumento abusivo do preço que passa a ser fiscalizado pela ANP a partir de critérios objetivos que serão produto de uma resolução da agência”, explicou.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que atualmente faltam parâmetros técnicos claros para identificar abusos no setor.

“Quando a Petrobras, que tem a produção majoritária do Brasil — mais de 70% do mercado — reduz o preço, essa redução demora muito para chegar na bomba. Quando chega, ou chega só parcialmente, ou mesmo quando chega integralmente, chega semanas ou meses depois”, disse.

Imposto de exportação e abastecimento interno

Segundo o governo, a nova alíquota de exportação também tem o objetivo de estimular que parte da produção de petróleo seja direcionada ao mercado interno e às refinarias brasileiras.

O ministro da Casa Civil afirmou que, com o aumento do preço internacional do petróleo, produtores poderiam priorizar exportações, reduzindo o volume destinado ao refino no país.

“Como o preço do óleo bruto está disparando, se você não der uma medida compensatória que estimule quem produz óleo bruto a deixar nas refinarias brasileiras, ele vai colocar uma parcela ainda maior no mercado internacional, desabastecendo nossas refinarias”, afirmou.

Críticas à privatização da BR Distribuidora

Durante a coletiva, integrantes do governo também criticaram a privatização da BR Distribuidora, empresa que controla milhares de postos de combustíveis no país.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a venda da empresa durante o governo anterior reduziu a capacidade do país de influenciar o mercado de combustíveis.

“Infelizmente, o modelo criminoso de venda dos nossos ativos nacionais do governo anterior fez com que nós diminuíssemos a nossa produção de produtos refinados no Brasil — gasolina, diesel e gás natural. E, portanto, foi um crime de lesa-pátria ao Brasil, aos brasileiros, desfazer da nossa BR Distribuidora”, declarou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Congresso vota a PL da dosimetria que pode reduzir penas do 8 de janeiro e beneficiar Bolsonaro

Especialistas em direito constitucional avaliam que, caso o veto...

Governo Lula vê rompimento com Alcolumbre após derrota no Senado e avalia retaliações políticas

Bastidores indicam crise entre Planalto e comando do Senado...

Pesquisa Genial/Quaest aponta que aprovação de Tarcísio cai de 57% para 48%

Pesquisa mostra vantagem eleitoral do governador, mas revela aumento...

Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF em votação inédita em mais de um século

Decisão do plenário expõe tensão entre Poderes e levanta...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade