Investigação aponta possível uso de campanhas digitais para descredibilizar autoridade monetária após liquidação do Banco Master
A Polícia Federal avalia solicitar a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, caso consiga comprovar que ele financiou influenciadores digitais para atacar o Banco Central após a liquidação da instituição financeira, ocorrida em novembro do ano passado. A apuração investiga indícios de que recursos ligados ao empresário teriam sido usados para bancar campanhas de desinformação nas redes sociais com o objetivo de desacreditar a atuação do órgão regulador do sistema financeiro.

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As publicações analisadas pela investigação atribuem ao Banco Central responsabilidade indevida pela liquidação do banco e questionam a atuação técnica da autoridade monetária. O material passou a circular de forma coordenada logo após a intervenção, levantando suspeitas de uma estratégia organizada para influenciar a opinião pública e pressionar instituições do Estado.
Ataques digitais sob investigação
Para a Polícia Federal, os ataques podem configurar crimes como difamação, ao atingir a reputação de um órgão público, e obstrução de Justiça, caso fique demonstrada a tentativa de interferir em investigações e decisões judiciais por meio da descredibilização do Banco Central. A apuração considera a aplicação do artigo 2º da Lei de Organizações Criminosas, que prevê pena de três a oito anos de reclusão, além de multa, para quem tenta impedir ou embaraçar investigações, ainda que a iniciativa não tenha êxito.
O inquérito também apura relatos de produtores de conteúdo que teriam sido abordados para produzir vídeos e postagens defendendo a tese de que a liquidação do Banco Master foi “precipitada”. As propostas incluiriam contratos com duração de três meses e a previsão de até oito publicações mensais, concentradas em críticas diretas à atuação do Banco Central.
A Polícia Federal analisa se houve coordenação financeira e operacional dessas ações e se elas tinham como objetivo influenciar o ambiente institucional e o andamento das apurações relacionadas ao Banco Master.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou qualquer envolvimento com campanhas digitais ou contratação de influenciadores. Os advogados afirmam que o empresário não participou da contratação nem da difusão de conteúdos falsos ou ofensivos contra autoridades públicas e sustentam que ele próprio seria alvo de uma campanha difamatória, com disseminação sistemática de informações falsas desde antes da liquidação do banco.
A investigação segue em andamento e novas medidas não estão descartadas, incluindo pedidos judiciais mais severos, caso os indícios sejam confirmados.




