Reajuste começa a ser pago nesta segunda, impacta quase 62 milhões de brasileiros e pressiona contas públicas
Começa a ser pago nesta segunda-feira (2) o novo salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, valor que aparece no contracheque referente ao mês de janeiro. O reajuste foi definido por decreto presidencial e representa aumento de 6,79%, equivalente a R$ 103, com aplicação em todo o território nacional.
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O novo valor segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a variação da inflação medida pelo INPC com o crescimento do Produto Interno Bruto, respeitando o limite fiscal que restringe o ganho real a até 2,5% acima da inflação do ano anterior. A regra foi mantida dentro do arcabouço fiscal em vigor, que busca controlar o impacto do aumento nas despesas obrigatórias da União.

Aposentados e pensionistas que recebem benefícios vinculados ao piso nacional já começaram a receber os valores corrigidos desde o dia 26 de janeiro. O calendário de pagamento segue até sexta-feira (6), conforme o número final do cartão do benefício, desconsiderando o dígito verificador.
O impacto do novo salário mínimo se estende muito além dos trabalhadores que recebem diretamente o piso. Estimativas apontam que cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm renda ou benefícios atrelados ao valor, o que deve resultar em uma injeção de aproximadamente R$ 81,7 bilhões na economia ao longo de 2026.
Do ponto de vista fiscal, o reajuste amplia o consumo e fortalece a renda das famílias, mas também eleva as despesas obrigatórias do governo. A projeção é de um custo adicional de R$ 39,1 bilhões para a Previdência Social, já que aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais utilizam o salário mínimo como referência.
Além do INSS, o novo piso influencia diretamente valores de seguro-desemprego, abono salarial, salário-família e contribuições previdenciárias de trabalhadores formais e autônomos. O aumento também serve como parâmetro para pisos regionais, negociações coletivas e contratos que adotam o salário mínimo como base.
Com o reajuste em vigor, o salário mínimo volta a ocupar papel central no debate econômico e social, ao mesmo tempo em que reforça o poder de compra das camadas mais vulneráveis e amplia a pressão sobre o orçamento público em um ano de forte vigilância fiscal.




