PF prende Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil em investigação sobre lavagem de dinheiro

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A investigação busca esclarecer a estrutura do grupo suspeito, a origem dos recursos movimentados e a possível participação de agentes públicos e outros envolvidos. Foto Divulgação ALERJ

Operação Unha e Carne apura suspeita de uso de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro; relatório do Coaf apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos.

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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil no Rio de Janeiro, e Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. As prisões ocorreram na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma suposta organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro.

A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão em municípios do estado do Rio de Janeiro. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A investigação busca esclarecer a estrutura do grupo suspeito, a origem dos recursos movimentados e a possível participação de agentes públicos e outros envolvidos.

Segundo informações relacionadas à investigação, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Polícia Federal, identificou movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões em um período de seis anos. O montante corresponde ao volume de operações financeiras apontadas no relatório e, por si só, não significa que todo o dinheiro tenha sido comprovadamente lavado ou que o valor represente prejuízo efetivamente apurado.

A apuração investiga possíveis conexões entre a movimentação financeira, a rede de postos de combustíveis e a atuação de pessoas com acesso a estruturas públicas. A responsabilidade individual dos investigados e a eventual participação de cada um precisam ser estabelecidas a partir das provas reunidas no procedimento.

Crimes investigados

Conforme a participação que venha a ser atribuída a cada investigado, a apuração pode envolver suspeitas de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização ilegal de combustíveis e formação de cartel. A lista de crimes investigados não significa que todos os presos sejam suspeitos de todas essas condutas.

A Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e está inserida nas ações de enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro, em contexto relacionado às diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635.

Canella já havia sido preso em outra fase

Márcio Canella já havia sido alvo da operação em julho de 2026, durante a sexta fase da investigação. Na ocasião, foi preso em flagrante depois que a Polícia Federal encontrou um fuzil de uso restrito em seu veículo. Conforme informações divulgadas pela Agência Brasil, também foram encontradas armas, munições e relógios em sua residência.

A investigação prosseguiu após aquela etapa, com novas diligências. Marcus Amim também havia sido alvo de medidas policiais em fase anterior da operação.

Canella foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro com 197.178 votos, ficando entre os candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa do estado. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) autorizou sua candidatura, apesar de questionamentos apresentados pela Procuradoria Regional Eleitoral sobre supostas ligações com milicianos. Esse procedimento eleitoral é distinto da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal.

Defesa e andamento da investigação

Até as informações divulgadas nesta quinta-feira, a defesa de Canella havia informado à imprensa que ainda não tivera acesso à decisão que determinou a prisão. Não havia manifestação da defesa de Marcus Amim localizada nas informações consultadas.

As prisões preventivas e as buscas fazem parte de uma investigação em andamento. A existência de mandados ou de suspeitas policiais não equivale a uma condenação. A responsabilidade criminal de cada investigado depende da análise das provas e de decisão judicial.

O Jornal Local acompanha o caso e a divulgação de informações oficiais sobre as medidas cumpridas, os fundamentos das prisões e as manifestações das defesas.

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