Governo Trump classifica Alexandre Ramagem como imigrante ilegal e confirma processo de deportação

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Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado. Foto Redes sociais Rebeca Ramagem/Instagram

Ex-diretor da Abin entrou legalmente nos Estados Unidos em setembro de 2025, mas permaneceu no país após o vencimento da autorização; pedido de asilo não impede, segundo o DHS, a continuidade do processo migratório

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O governo dos Estados Unidos, presidido por Donald Trump, classificou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) como imigrante em situação irregular e confirmou que ele responde a um processo de deportação. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela Agência Pública, em investigação realizada em parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Ramagem permaneceu no país depois do vencimento de sua autorização temporária de estadia.

De acordo com a resposta oficial obtida pelos jornalistas, Ramagem entrou legalmente nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025, com permissão para permanecer por seis meses. O prazo terminou em março de 2026. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista, solicitou asilo político após deixar o Brasil.

Prisão e libertação pelo serviço de imigração

O DHS informou que Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em 13 de abril e libertado dois dias depois, enquanto aguarda o andamento do procedimento migratório.

Segundo o departamento, a apresentação de um pedido de asilo não regulariza automaticamente a situação migratória do solicitante. A autoridade americana também informou que o ex-deputado tem direito ao devido processo legal.

A abertura do procedimento, contudo, não significa que a deportação já tenha sido determinada. A decisão depende da tramitação do caso e das autoridades competentes nos Estados Unidos.

Caso provocou crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos

A prisão de Ramagem foi seguida por um episódio de tensão diplomática. Em 20 de abril, o governo Trump retirou o credenciamento de Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação em Miami.

O governo americano acusou o delegado de tentar contornar os canais oficiais de imigração. O Brasil reagiu posteriormente com uma medida contra um agente americano de imigração que trabalhava em Brasília.

O episódio ganhou relevância porque o Ministério da Justiça brasileiro havia formalizado, em 30 de dezembro de 2025, um pedido de extradição de Ramagem, segundo as informações publicadas pela Agência Pública.

A extradição e a deportação são procedimentos diferentes. A primeira envolve a entrega de uma pessoa a outro país para responder a um processo ou cumprir uma decisão judicial, conforme as regras aplicáveis. A segunda decorre da legislação migratória do país onde a pessoa se encontra.

A libertação de Ramagem em abril foi comemorada por aliados do ex-deputado. Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) também atribuiu à atuação de Rubio a rapidez da soltura.

Condenação pelo STF e fuga do Brasil

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil apesar das restrições judiciais, seguindo para os Estados Unidos por uma rota que passou pela fronteira com a Guiana, segundo investigações jornalísticas.

Reportagens da Agência Pública também apontaram que o ex-deputado recebeu ajuda de integrantes da família de Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, condenado por envolvimento com garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

Segundo as publicações, familiares de Cataratas teriam oferecido hospedagem a Ramagem em um condomínio na Flórida e auxiliado em providências para sua instalação no estado. As informações foram atribuídas a mensagens e registros obtidos pelas jornalistas responsáveis pela investigação.

Deportação e extradição seguem caminhos distintos

A confirmação do DHS de que Ramagem está sujeito a um processo de deportação não significa que ele será necessariamente enviado ao Brasil. O resultado depende da análise das autoridades migratórias americanas e de eventuais recursos ou decisões no procedimento.

Paralelamente, permanece relevante o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Os dois processos têm fundamentos jurídicos distintos e podem seguir trâmites próprios.

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