
Segundo reportagem do UOL reproduzida pelo Brasil 247, proposta de colaboração de Daniel Vorcaro atribui a Ibaneis Rocha (MDB) participação nas tratativas e relata pagamento antecipado de R$ 80 milhões; defesa do ex-governador nega interferência na gestão do banco público
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A Polícia Federal investiga suspeitas de pagamentos ilícitos relacionados à tentativa de aproximação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, operação que envolveu bilhões de reais em transações financeiras. Segundo reportagem publicada pelo Brasil 247, com base em informações da colunista Natália Portinari, do UOL, uma proposta de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro menciona um suposto acordo de R$ 400 milhões e afirma que R$ 80 milhões teriam sido entregues antecipadamente a um intermediário apontado como próximo do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
As informações relatadas ainda precisam ser diferenciadas conforme sua origem: parte decorre de mensagens e registros que, segundo a publicação, foram obtidos pela PF; outra parte corresponde às declarações atribuídas a Vorcaro em sua proposta de colaboração. A existência de uma alegação em delação não equivale, por si só, à comprovação judicial do crime ou à condenação dos envolvidos.
Mensagens e entregas sob investigação
De acordo com a reportagem, registros de conversas indicariam que um funcionário que trabalhava como motorista de Vorcaro realizou entregas de encomendas a uma pessoa identificada como “Léo” ou “Dr. Léo”, em pelo menos dez ocasiões, entre novembro de 2024 e agosto de 2025.
A investigação apontaria Leonardo Valverde, empresário descrito na publicação como próximo de Ibaneis, como possível destinatário. As entregas teriam ocorrido na residência de Vorcaro, em Brasília. Segundo o relato, em dezembro de 2024 o motorista informou ao banqueiro que o intermediário havia entrado em contato para retirar os pacotes pendentes.
A natureza dos conteúdos entregues e sua vinculação a eventuais pagamentos ilícitos precisam ser estabelecidas a partir das provas reunidas na investigação. A reportagem original não apresenta, no material reproduzido, uma decisão judicial que reconheça definitivamente a ocorrência de propina ou a responsabilidade criminal de Ibaneis.
Delator relata acordo de R$ 400 milhões
Na proposta de colaboração premiada descrita pelo Brasil 247, Vorcaro teria afirmado que a solicitação de vantagem indevida ocorreu após o primeiro encontro com Ibaneis, em setembro de 2024.
Segundo a versão atribuída ao ex-banqueiro, o suposto acordo teria sido tratado com Leonardo Valverde e alcançaria R$ 400 milhões caso a operação bancária avançasse. O valor seria dividido em duas parcelas de R$ 200 milhões: uma em dinheiro e outra por meio de um contrato com um escritório de advocacia.
A proposta também mencionaria uma suposta participação de 5% na nova estrutura bancária por meio de uma empresa de fachada. Vorcaro teria declarado que aproximadamente R$ 80 milhões foram adiantados em dinheiro vivo e entregues a Valverde por seu motorista.
Ainda conforme o relato, a parcela relacionada ao contrato advocatício não teria sido paga porque a operação foi barrada pelo Banco Central. As alegações sobre o suposto acordo, os repasses e a participação atribuída ao ex-governador dependem de comprovação pelas autoridades competentes.
BRB ampliou exposição ao Banco Master
A aproximação entre as instituições ganhou dimensão financeira em 2024. Segundo a reportagem, Ibaneis autorizou o avanço de uma operação de aumento de capital do BRB, inicialmente prevista em R$ 500 milhões e posteriormente elevada para R$ 750 milhões.
O BRB também adquiriu carteiras de crédito relacionadas ao Master. De acordo com os números publicados, as compras chegaram a R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025.
Em março daquele ano, o banco público anunciou uma proposta para adquirir 58% do controle do Master. A operação, que dependia de aprovação regulatória, acabou rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025, segundo a publicação.
A dimensão dos negócios torna relevante a análise dos procedimentos de aprovação, dos critérios utilizados para avaliar os ativos adquiridos e dos mecanismos de controle interno. Esses elementos, porém, não comprovam isoladamente a ocorrência de corrupção.
Investigação também alcança ex-presidente do BRB
A reportagem relata que a Polícia Federal identificou suspeitas de vantagens indevidas envolvendo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Segundo o texto, o Banco Master teria adquirido seis imóveis de alto padrão, avaliados em conjunto em R$ 146,6 milhões, e um deles seria destinado à moradia do executivo.
A eventual relação entre as aquisições imobiliárias e decisões tomadas no âmbito do BRB precisa ser demonstrada por documentos, registros financeiros e demais provas da investigação. O valor total dos imóveis, por si só, não estabelece a existência de pagamento ilícito.
Em abril de 2025, segundo a publicação, auditores do BRB detectaram irregularidades em carteiras de crédito consignado originadas pela empresa Tirreno e comercializadas pelo Master. Parte dos empréstimos não teria correspondência nos cadastros de clientes. O episódio teria contribuído para o agravamento da crise entre as instituições.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, conforme relatado na matéria de origem.
Defesa de Ibaneis contesta versão
Procurada pela reportagem original, a defesa de Ibaneis Rocha, representada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que não comentaria declarações sem respaldo probatório.
A defesa sustentou ainda que o ex-governador concedia autonomia à presidência do BRB e não interferia nas decisões operacionais e administrativas da instituição.
Leonardo Valverde não havia respondido aos contatos da reportagem citada até a publicação do texto. Não consta, no material fornecido, manifestação dele sobre as acusações específicas.
O que está em questão: a investigação descrita envolve suspeitas de pagamentos ilícitos, a atuação de intermediários e decisões relacionadas a operações bilionárias entre um banco público e uma instituição privada. A confirmação das responsabilidades depende da análise das provas, do andamento das apurações e das manifestações dos envolvidos.


