Cerca de 100 guardinhas e patrulheiros ocuparam, juntamente com seus familiares, o plenário da Câmara de Vereadores de Campinas, na noite desta quarta-feira, quando os presidentes da duas instituições falaram sobre o trabalho prestado por elas. Com faixas e cartazes, eles protestavam contra a decisão do Ministério Público do Trabalho, que desde fevereiro, tenta suspender as atividades dos aprendizes que atuam na Prefeitura e na Câmara.
A alegação da Justiça é de que os cargos que hoje são ocupados pelos jovens devem ser preenchidos por funcionários concursados. Outro argumento apresentado pelo Ministério Público do Trabalho é de que esses adolescentes não devem ser direcionados à órgãos públicos porque não tem chance de serem contratados.
Os secretários das pastas de Educação e presidente da Fumec Graciliano de Oliveira Neto e de Assuntos Jurídicos Carlos Henrique Pinto participaram da reunião.
Para reverter a situação a Prefeitura entrou com uma liminar que deve ser julgada até o dia 15 de abril. Enquanto essa batalha judicial se mantêm travada, guardinhas, patrulheiros e seus familiares vivem sob tensão e expectativa.
O presidente da Associação de Educação do Homem do Amanhã – Guardinhas Sérgio Brigagão Magalhães falou da história da instituição, que já formou mais de 36 mil jovens, e da importância do emprego para eles. “Se inviabilizarem essas duas instituições estarão tirando o emprego de dois mil jovens”.
O presidente do Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro Paulo Celso Mota apresentou um vídeo sobre a instituição, fundada há 43 anos e que anualmente recebe 3.500 inscrições, das quais são selecionados 800 jovens.
Ele acusou o Ministério Público do Trabalho de, há anos, tentar impedir o trabalho dos aprendizes no serviço público. “Porém o posicionamento do governo demonstra que as instituições estão corretas tanto que há essa discussão na esfera federal”.
Os vereadores se mostraram indignados com a decisão da justiça e falaram da importância do trabalho para os jovens. Muitos deles são arrimo de família ou a renda ganha por eles reforçam o orçamento doméstico.
Aos 17 anos, Rodrigo Gabriel Telles Ribeiro, é um dos patrulheiros que se emocionou durante a sessão da Câmara. Atualmente ele presta serviços para a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água S/A). Morador do Jardim Capivari, em Campinas, ele é o filho caçula de uma família de três irmãos e o único que entrou para os patrulheiros. Seu sonho é formar-se em Educação Física.
Segundo ele, além do salário que é bem-vindo no orçamento de casa, ele diz que aprendeu noções de ética no trabalho que levará por toda a sua trajetória. A mãe de Rodrigo, Conceição Aparecida Lopes Telles Ribeiro afirma que a formação dada pelos Patrulheiros a seu filho não apenas deu a ele oportunidades de trabalho, mas valores morais.
“Ele cresceu e amadureceu muito lá. Por todos os motivos foram ótimos. Todos os pais estão com medo porque esse dinheiro ajuda. Mas no caso do Rodrigo, todo o dinheiro que ele ganha é guardado. Ele usa apenas o vale transporte e o alimentação”. Durante a sessão, um vídeo institucional dos patrulheiros foi apresentado o que levou muitos deles as lágrimas.




