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sexta-feira, junho 12, 2026
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Feira da Reforma Agrária leva produção de assentamentos para Bauru

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A Reforma Agrária Popular se propõe a resolver questões fundamentais dos camponeses, mas também de toda a sociedade

De 1 a 4 de novembro, a cidade de Bauru, interior de São Paulo recebeu a 1ª Feira da Reforma Agrária Popular das regiões de Iaras e Promissão.

A feira acontece em conjunto com a Semana do Hip-Hop 2018, atividade considerada o maior evento de hip-hop gratuito da América Latina.

Idealizada por movimentos do campo e da cidade, a feira dialoga também com as comunidades urbanas apresentando a cultura da alimentação saudável, agroecologia, combate aos agrotóxicos e a sociabilidade do campo.

Com o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) da micro região, a cidade de Bauru é um polo econômico do centro-oeste paulista, isso deve-se a grande produção de commodities como eucalipto, laranja e cana de açúcar em longas extensões de plantio e com altos níveis de mecanização.

A região também é palco de grandes enfrentamentos entre trabalhadores Sem terra e o agronegócio, ainda assim centenas de famílias assentadas resistem e que continuam seu processo de luta por meio do cultivo de alimentos saudáveis em um modo de produção contra hegemônico, sem exaurir os nutrientes do solo ou poluir a natureza.

Em entrevista, Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, destaca o papel das feiras na construção do projeto de Reforma Agrária Popular defendido pelo MST, além dos desafios da luta dos camponeses e camponesas na tarefa da produção de alimentos saudáveis.

“Muito do que se faz, produz e chega às Feiras é resultado do compromisso das famílias que vão buscando formas e alternativas para irem tentando organizar a produção”, destacou a dirigente que também integra o Setor de Produção do MST.

De acordo com Nunes, a Feira é a expressão do que o Movimento defende na perspectiva da Reforma Agrária Popular, em suas diversas dimensões. “Tudo que construímos na Feira é a expressão daquilo que queremos enquanto projeto de sociedade. E não é tarefa pequena e nem apenas dos Sem Terra.”

A principal tarefa é a de dialogar, diretamente, com a sociedade.  Mesmo que há 19 anos não tivéssemos uma estratégia política tão nítida quanto temos hoje, esse já era o principal motivo que levou o Movimento a vir para Maceió realizar as Feiras da Reforma Agrária, pois a Feira permite ocupar a cidade de uma maneira diferente do que habitualmente fazemos nas marchas, mobilizações e ocupações. Ambas são importantes, inclusive são complementares, pois só é possível realizar as Feiras porque antes tiveram processos organizativos de luta e pressão que vai forçando o Estado e os governos a realizarem a Reforma Agrária. E esse diálogo foi construindo essa perspectiva da Feira que temos hoje, também como produto a pressão e da luta dos Sem Terra.

Convocando a sociedade para compreender a necessidade e importância de realizar-se a Reforma Agrária no intuito de resolver problemas estruturais que afetam diretamente quem está na cidade, como o inchaço e aumento das favelas decorrente do êxodo rural, desemprego, desigualdades sociais e problemas de infraestrutura geral das cidades. Além do aumento expressivo no número de habitantes das cidades sem habitação, acesso a educação, saúde e outros serviços e políticas públicas.

De que outras maneiras a Feira expressa o projeto de Reforma Agrária Popular em suas dimensões?

O projeto de Reforma Agrária Popular é uma construção coletiva do MST, de um modelo de agricultura para a sociedade brasileira. Sua concepção parte da constatação de que o estágio de desenvolvimento das forças produtivas no campo, com o avanço do capital não mais comportaria a realização da Reforma Agrária Clássica, sobretudo com a hegemonia do agronegócio que tem o Estado ao seu serviço. E da nossa compreensão de que seria necessário que os camponeses, os trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra, apresentassem uma alternativa que pudesse resistir e enfrentar a hegemonia do capital na agricultura.

Uma proposta do MST para o campo brasileiro capaz de enfrentar e se contrapor ao modelo do agronegócio, apresentando condições para resolvermos problemas estruturais de toda a sociedade brasileira, especialmente com a missão de produzir alimentos saudáveis que atenda às necessidades do povo brasileiro e recuperando e cuidando dos bens naturais – terra, sementes, biodiversidade, a água, enfim, tudo que é necessário para a vida dessa e das próximas gerações e que tem sido apropriado, mercantilizado e destruído pelo agronegócio.

Assim, a Reforma Agrária Popular se propõe a resolver questões fundamentais dos camponeses, mas também de toda a sociedade, aí está o caráter popular da sua necessidade e construção.

Dentre as questões fundamentais estão as condições necessárias para desenvolver um modelo de produção em equilíbrio com a natureza. A mudança de modelo tecnológico de produção com a agroecologia, produzindo em escala e qualidade o alimento que chegará nas cidades, a agroindustrialização do campo, garantia de educação em todos os níveis, garantir as diversas dimensões da vida humana, a cultura, o lazer, a saúde, dos sujeitos camponeses.

O desafio de construí-la vem também para a Feira, quando trazemos as diversas dimensões do que é a vida no campo, mesmo que ainda tenha muitos desafios a serem superados, para que as pessoas tenham a possibilidade de refazer a leitura que os grandes meios de comunicação fazem.

Tudo que construímos na Feira é a expressão daquilo que queremos enquanto projeto de sociedade. E não é tarefa pequena e nem apenas dos Sem Terra. Todos estão convidados a serem construtores deste projeto.

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