E a EDUCAÇÃO onde foi parar?
Sou professora do Ensino Médio da rede estadual de São Paulo em uma das escolas da Diretoria de Ensino de Sumaré e estou completamente estarrecida com a incompetência e a desordem das escolas onde atuo.
Não é de hoje que o ensino está passando por uma crise, mas acredito que hoje alcançamos o fundo do poço. As escolas não aceitam hierarquias fazendo com que os professores não legitimem a autoridade da direção, enquanto esta direção, não possue as competências necessárias para lidar com o cargo que assumiram e que exige, além de Pedagogia e um conhecimento vasto em Administração, um feeling em gerenciamento de problemas.
Os temas que norteiam as salas dos professores são críticas, insatisfações com o governo, e, tudo é levado para o lado pessoal. É incrível como 70% do professorado do Estado não sobreviveria em uma empresa privada, pois esse pessoal considera que a função de seu cargo é simplesmente mantê-los. E os alunos? Esses, apesar de serem os reais clientes desse grupo, não são citados, muito menos vistos como personagens principais quando se trata de educação.
Não estou condicionando a falência da educação do Estado de São Paulo à ação dos professores, afinal o Estado parece patrocinar toda essa confusão. A última que ele fez foi \\\”agraciar\\\” os professores com um bônus de cálculo questionável. Em uma mesma escola os bônus variaram de R$18,00 até R$1.200,00, onde essas duas pessoas tiveram índices (seguindo os critérios do governo para o cálculo) muito próximos.
Há alguns dias acompanhei uma entrevista com o professor Pasquale Cipro Neto e ele disse que está de \\\”saco cheio de ser brasileiro\\\”, na hora tive uma reação de estranheza e até discordância, mas duas semanas depois das aulas começarem na rede estadual de São Paulo eu estou tentada a concordar com ele. É vergonhoso ver o descaso de quem está dentro da escola e de quem está fora.
A educação não é e não será prioridade nesse país, o que nos deixará cada vez mais atrás de países como a Índia que, por exemplo, ensina de verdade inglês para seus alunos nas escolas enquanto aqui, no Estado mais rico do Brasil, contratamos professores que não sabem falar inglês para dar aula dessa língua. Os discursos não param, mas as ações nunca foram pensadas com seriedade.
Os planos pedagógicos da Secretaria de Educação são bons para outra realidade e não para salas com 45 alunos. Alunos estes que sabem que apenas freqüentando passarão de ano, o que foi o tiro de misericórdia na autoridade do professor. Agora, se argumentarem que o professor não precisa mesmo de ser uma autoridade (o que é bem diferente de ser autoritário) então faço um desafio, entrem em uma sala de aula lotada e tentem dar \\\”aquela\\\” aula, mas entrem como professores normais e não como Dirigentes ou Supervisores, digam apenas que são professores.
O problema na Educação é administrativo e não pedagógico. Os professores agem sem qualquer profissionalismo, assim como o Estado age ao lidar com essa categoria. A direção está perdida em funções que desconhece e os alunos deitam e rolam nessa bagunça.
E a Educação, onde foi parar?
Não está nas salas lotadas do Ensino Médio, nem na sala dos professores, nem na direção… onde foi parar?
Professora Efetiva do Ensino Médio
Rede Estadual de São Paulo
Diretoria de Sumaré




