Produzido pela TV Câmara, o documentário sobre a vida do compositor
campineiro Carlos Gomes será exibido na TV Senado a partir desta
sexta-feira. O filme Carlos Gomes Vida e Obra – que tem 32 minutos de
duração – reconstrói a história do maestro desde os tempos de menino em
Campinas até o reconhecimento no País e fora dele. A partir de
depoimentos de especialistas, o filme recupera a delicadeza de uma
Campinas antiga e registra com precisão a força da obra de Carlos Gomes.
O documentário tem muitos méritos, mas o maior deles, talvez seja a
falta de pretensão. Sem ufanismo, o filme apresenta um Carlos Gomes com
a dimensão que sua obra merece.
O filme recuperou gravuras e flagrantes de uma cidade ainda colonial.
Traz fotos de família, do cotidiano da cidade, de objetos pessoais e
histórias pitorescas. Como a de um Carlos Gomes na condição de jovem
professor de piano e de namoricos com alunas de filhas de ricos
fazendeiros da época. Para uma delas, sugerem os entrevistados, o
artista pode ter escrito “Quem Sabe“ – talvez a mais popular de todas as
suas composições. As imagens ilustram o trabalho jornalístico – três
repórteres percorreram a cidade, ouviram depoimentos de pessoas no
Centro e passaram por locais onde o artista viveu – mas também servem de
apoio para histórias saborosas contadas pela musicóloga e curadora do
Museu Carlos Gomes, Lenita Nogueira; pela também musicóloga e intérprete
de Carlos Gomes, Niza de Castro Tank, pelo maestro Roberto Duarte ou
pelo crítico de música e pesquisador José Alexandre Ribeiro.
O documentário revela a intimidade do artista. Mostra, por exemplo, a
carta que o compositor enviou ao pai, explicando as razões pelas quais
iria embora da cidade. Nesta época ele estava em São Paulo, mas havia
combinado que voltaria a Campinas. Ao invés disso, se mandou para Rio.
Na carta, Carlos Gomes pede desculpas ao pai e apela por sua
compreensão.
O documentário mostra ainda a passagem vitoriosa pela Europa – o enorme
sucesso em que se transformaram as montagens no Scala de Milão e as
ótimas relações que mantinha com o Imperador D. Pedro II, do qual chegou
a receber subvenções. Fala de seu retorno triunfante a Campinas (no
melhor estilo celebridade, quase não conseguia andar nas ruas sem ser
abordado por fãs) e as dificuldades pelas quais passou depois de
Proclamação da República.
“Trata-se de um documento extremamente importante para a história da
música no Brasil e pelo que consta é inédito”, disse o compositor Marco
Padilha, que assina a produção executiva do filme. O diretor Alexandre
Mendes da Costa conta que além do material oferecido pela Museu da
Imagem e do Som (MIS) e do Museu Carlos Gomes, muita coisa foi enviada
por instituições italianas, como a registrou imagens da casa onde ele
morou com Adelina, sua mulher italiana. O filme termina com o registro
das comemorações 1º centenário de nascimento do maestro. Vale a pena
ver.
Serviço – O filme poderá ser visto pela TV Senado – Canal 9 da Net
Campinas. Nesta sexta-feira (20/02) a partir das 21h30. Haverá
reapresentações no sábado (dia 21) às 11h e 21h; no domingo (dia 22) às
23h e na segunda-feira (dia 23), às 9h.




