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quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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TER OU NÃO TER LIMITES, EIS A QUESTÃO

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No kit básico para a educação de filhos estão presentes dezenas de desafios, incansáveis: horas de preocupação, inúmeras noites de sono perdido, mas nenhum ‘livro ou manual de instruções’.
Desde que o mundo existe e gerações mais novas surgem substituindo as gerações mais velhas, educar os filhos sempre foi um desafio de gigantescas proporções. Mas ao que parece, aquilo que sempre foi feito baseado em bom senso e intuição, vem assumindo proporções absolutamente desafiadoras nos dias de hoje, levando um número cada vez maior de pais e educadores a se defrontar com questões bastante complicadas no que diz respeito ao ‘certo e errado’.
As razões e respostas últimas da existência do ser humano nessa Terra foram sempre procuradas na Filosofia e na Religião. Mas foi com o surgimento da Psicologia enquanto ciência, que o entendimento mais profundo das necessidades emocionais dos indivíduos começou a ocupar a mente das pessoas enquanto um direito tão inalienável quanto o direito à vida. Nesse contexto, surge a questão relativa a colocação de limites na educação de crianças e adolescentes, como algo de fundamental importância em um mundo em constante transformação. Padrões de comportamento e escala de valores são desafiados e revistos. Mudanças de hábitos e paradigmas acontecem de forma contínua e desafiadora. O que antes era considerado como um referencial seguro para gerações anteriores, passa a ser questionado com toda a força e vontade.
Não restam dúvidas de que hoje existe uma enorme insegurança quanto a maneira como os limites devem ser colocados na educação dos filhos. Como educar? Qual é o caminho correto? Não existem respostas fáceis nesse sentido, mas uma coisa parece ser mais do que certa: as atitudes firmes e coerentes por parte dos pais são fundamentais e determinantes. É preciso saber dizer “não”, quantas vezes for necessário, ainda que o “sim” possa ser mais cômodo e mais fácil. Satisfazer de forma irrestrita os desejos e vontades de crianças e adolescentes é receita certa para o desastre. Habituados a não ouvirem “não”, passam a ter uma visão de mundo distorcida e muito longe de uma realidade mais concreta.
Dar limites permite não só que se aprenda a viver respeitosamente em sociedade, mas também trás um sentido de ordem e principalmente de segurança. Pais, que por se sentirem culpados pela necessidade freqüente de se ausentarem de casa e do convívio com seus filhos, em alguns momentos procurarão compensar esses sentimentos através de comportamentos inadequados que envolvem a omissão e a tolerância excessiva, privando seus filhos dos desejáveis limites e interdições para o convívio social e para a estruturação saudável de suas personalidades. Se por um lado ‘dá trabalho criar filhos’, por outro lado é preciso compreender que a imposição de limites, na verdade, e por mais paradoxal que possa parecer, é a condição necessária para que o ser humano possa ir além de suas limitações e fronteiras internas, desenvolvendo-se em todas as suas potencialidades. A existência de limites surge, nesse sentido, como o referencial seguro para a jornada humana.

Monica Raza

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