Foi muito bom que as eleições chegassem ao segundo turno. Estamos sendo “convidados” a fazer política. Ela bastante ampla, eleição é apenas um momento do processo político. Política quer dizer: tecer ou tramar laços. Os laços que fazem transparecer passado e presente, gestando futuro. No segundo turno nós, eleitores, iremos tecer elos ou laços; o que sabemos do passado e como nos movemos no presente vai configurar futuro.
Os dois candidatos são avaliados em relação a projetos de “futurar”. Há alguns temas que são amplos, merecem a atenção do eleitor para decidir seu voto. Cito alguns temas (.1.)o comércio é um tema permanente: a ALCA, nossas relações interpaíses com o sul do mundo, as breganhas com os impérios (EUA e União Européia). (.2.) a energia, o álcool, o biodiesel, a PETROBRAS: isso pode (ou não pode??) ser simplesmente vendido (como foram vendidas as telecomunicações, como foram vendidas estradas ao pedágio, como foi vendido o minério de ferro da VALE, como foi vendida a eletricidade, e etc). Nestes dois temas, super importantes, está definida a soberania. (.3.) um terceiro tema amplo será a reforma política: parlamentares mudando a casaca, a cada eleição, é problema sério; como poderemos nós, eleitores, exercer cobrança não de cargos ou mensalão mas sim cobrança na postura deles. Os dois candidatos que disputam a presidência não são iguais, sua postura nestes temas não é a mesma. Espero que nem eles nem a imprensa fiquem resumidos ao espalhafato de “mostrar os podres”.
Observar se o mandato está, de fato, sendo mandato é fazer política. Como fazer isso?. Por exemplo?. Nenhum gabinete de deputado ou senador comentou com eleitores o telefone: 0800619619. Esse número (além de gratuito) interessa ao eleitor(a) de qualquer partido. Interessa por quê?. É a “central interativa” da Câmara Federal.
Sugiro ao(à) Leitor(a) fazer esse teste. Ligue o número 0800 619619. Aguardar a atendente, não a fala eletrônica mas sim a atendente humana. Nesse telefone estão coletando dados e moções de cidadãos sobre tramitações de Leis. Existe uma lei que vai decretar o não-pagamento da tarifa no telefone fixo. E não há divulgação. Nenhum parlamentar, de partido algum, divulgou. A taxa de telefone fixo não é problema pra eles. Eles não pagam telefone?, será por isso?. Na ligação o eleitor(a) cita seu nome, residência, número de documento e número/cidade do telefone fixo. A Lei número 5476/2001 está em processo de votação. Após sua promulgação nós pagaremos apenas pelo uso do telefone. Mas a votação da lei está sujeita a espaço de pauta, está percorrendo as comissões internas; por isso não tem sido viabilizada. Por que não?. Parece que todo espaço de pauta no Legislativo esteve ocupado pelas CPIs, que dão manchete, aparecem nas revistas e telejornais. A verificação e acompanhamento do trabalho dos parlamentares poderá ser feita, sempre, pelo endereço eletrônico www.camara.gov.br e pode-se clicar em cima do item “projetos de lei e outras…”; ali pode-se buscar o número da Lei 5476/2001. Todo visitante que acompanhar será credenciado, será identificado. DESSE MODO OS ELEITORES SEREMOS PRESENÇA permanente e não apenas no dia das urnas.
Sugiro a cada Leitor(a) deste Jornal Local fazer pelo menos uma ligação e manifestar sua opinião sobre essa Lei:- somos favoráveis (ou não) à cobrança da tarifa mensal, em telefone fixo?. Enquanto os eleitores não se manifestarem vence apenas a opinião da Telefônica (por exemplo) que comprou a comunicação, vendida pelo governo federal. Tenho esperança que nossa presença possa interferir nos pedágios, interferir no bio-diesel: cada dia mais pessoas se farão PRESENÇA. Não apenas no dia das eleições. Política é responsabilidade, não é apenas digitação. Essa é a esperança deste observatório: a partir desta eleição nós, eleitores, faremos política permanentemente, cada qual a partir de compreender o passado, ser presença em movimento e gestar futuro.
Prof. Adriano Salmar Nogueira e Taveira.
Jornalista, pesquisador em Filosofia da ciência
Observar a POLÍTICA…
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