Campinas é o primeiro município paulista a ter um banco de dados com completo perfil socioeconômico e de infraestrutura das escolas públicas municipais e estaduais, além de conter informações sobre a vulnerabilidade social dos territórios onde as unidades escolares estão localizadas. O banco de dados foi anunciado na manhã desta terça-feira, 04 de novembro, no auditório da Fundação FEAC, durante o evento Observando Campinas: novos estudos do Observatório da Educação, como parte da 5ª Semana da Educação de Campinas.
A 5ª Semana da Educação de Campinas teve sua solenidade de abertura realizada na segunda-feira, 03 de novembro, à noite, com conferência do filósofo e educador colombiano Bernardo Toro, e terá prosseguimento até sexta-feira, dia 07. A Semana é uma iniciativa da Fundação FEAC, no âmbito do Compromisso Campinas pela Educação.
Banco de dados – O banco de dados anunciado na manhã de hoje é resultado de um estudo encomendado pelo Observatório da Educação para a Fundação SEADE, autarquia do governo de São Paulo. O estudo recebeu o nome de “Escolas Municipais e Estaduais do Município de Campinas, segundo o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – IPVS, e os indicadores de infraestrutura, de desempenho e do nível socioeconômico”, e foi apresentado por Gustavo de Oliveira Coelho de Souza, analista de projetos da Fundação SEADE. O estudo promoveu uma caracterização das escolas públicas de Campinas de acordo com quatro indicadores. O Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – IPVS é um indicador desenvolvido pela própria Fundação Seade, e que considera a vulnerabilidade à pobreza de todos os municípios paulistas. No caso, Campinas tornou-se o primeiro município paulista a ter customizado o IPVS do entorno de todas as escolas públicas objeto do estudo.
Outro indicador considerado é o de Infraestrutura. Trata-se de um indicador nacional, que considera 22 itens básicos em uma escola, e que é classificado em quatro níveis: elementar (quando a escola tem recursos e equipamentos elementares, como água, sanitário, energia, esgoto e cozinha), básico (quando também apresenta recursos como sala de diretoria e equipamentos como TV, DVD, computadores e impressora), adequado (quando também conta com sala de professores, biblioteca, laboratório de informática, sanitário para educação infantil, quadra esportiva, parque infantil) e avançado (quando, além de todos anteriores, conta com laboratório de ciências e dependências adequadas para atender estudantes com necessidades especiais, entre outros recursos mais avançados). O estudo da Fundação SEADE comprovou que nenhuma escola pública de Campinas tem nível Avançado.
Um terceiro indicador considerado pela Fundação SEADE também foi desenvolvido em escala nacional, e trata do Nível Socioeconômico (NSE) das escolas, apurado a partir da situação de renda familiar e de trabalho dos familiares dos alunos. O NSE foi dividido em sete níveis: Mais baixo; Baixo; Médio Baixo; Médio; Médio Alto; Alto; Mais alto. A pesquisa da Fundação SEADE confirmou que o conjunto das escolas públicas de Campinas está situado nos níveis Médio, Médio Alto e Alto, pelos critérios nacionais do indicador.
E o último indicador observado no estudo é o do desempenho dos alunos de 5º e 9º ano do ensino fundamental, em Língua Portuguesa e Matemática, de acordo com os resultados da Prova Brasil 2011. O estudo será atualizado quando os microdados, por escola, da Prova Brasil 2013, forem divulgados pelo Ministério da Educação.
Somando-se os quatro indicadores, o estudo da Fundação SEADE chegou a um perfil completo das condições socioeconômicas, de infraestrutura e vulnerabilidade à pobreza das escolas públicas de Campinas, comparando essas condições com o desempenho em Língua Portuguesa e Matemática. “Todas as escolas públicas de Campinas terão uma ficha com os seus dados e que poderão ser utilizados para aprimorar o seu processo de ensino e aprendizagem”, afirmou a professora Dra. Maria Inês Fini, coordenadora do Comitê Deliberativo do Observatório da Educação, que solicitou o estudo para a Fundação SEADE.
Resultados – Os dados levantados pela Fundação SEADE, comparando-se os quatro indicadores, foram também avaliados, a pedido do Observatório da Educação, pelo professor Dr. Dalton Francisco Andrade, da Universidade Federal de Santa Catarina. E o especialista chegou a resultados surpreendentes, em relação ao universo de estudo, correspondente a 194 escolas públicas de ensino fundamental do município de Campinas que realizaram a Prova Brasil de 2011. Destas 154 pertenciam à rede estadual e 40 à rede municipal.
O professor Dalton avaliou o comportamento da escola, com Baixo ou Alto Desempenho, comparando com os indicadores considerados no estudo. Uma escola foi classificada de Baixo desempenho se a porcentagem dos seus alunos no nível abaixo do básico, no ano/série considerado, for igual ou superior a 20% em Língua Portuguesa ou Matemática. Uma escola foi classificada de Alto desempenho se a porcentagem dos seus alunos nos níveis adequado e avançado, no ano/série considerado, for superior a 50% em Língua Portuguesa e Matemática.
Segundo a análise, 138 escolas públicas tinham alunos no 5º ano do ensino fundamental que fizeram a Prova Brasil em 2011. Destas, 33 escolas de Baixo desempenho estão localizadas em regiões vulneráveis e 51 em regiões não vulneráveis. Considerando as escolas de alto desempenho, 32 estão em regiões não vulneráveis e somente uma em região vulnerável.
A análise também mostrou que, em termos das escolas de Baixo desempenho, 39 são consideradas de nível socioeconômico médio (46,4%), 44 de nível médio-alto (52,4%) e somente uma de nível alto (1,2%). Em termos das escolas de Alto desempenho, 18 são de NSE médio-alto (54,5%) e 15 de NSE alto (45,5%). Essas 15 escolas representam 88% das escolas de NSE alto.
De acordo com a análise, 128 escolas de ensino fundamental tinham alunos no 9º ano do ensino fundamental que fizeram a Prova Brasil em 2011. Destas, 36 (28%) escolas estavam em regiões de vulnerabilidade e 92 (72%) em regiões não vulneráveis. Das escolas de Baixo desempenho, 36 (34,5%) estão em regiões vulneráveis e 69 (66,5%) em regiões não vulneráveis.
Considerando o Nível Sócio Econômico (NSE) das famílias de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental em 2011, 41 escolas (32%) eram de nível médio, 76 (59,4%) de nível médio-alto e 9 (7%) de nível alto, estando duas escolas (1,6%) sem informação sobre o NSE. Das escolas de baixo desempenho, 40 (38,1%) apresentavam NSE médio, 62 (59%) uma NSE médio-alto e duas (1,9%) um NSE alto, estando uma sem informação (1%).
Guia para professores – Mas as escolas de Campinas não terão apenas um banco de dados com uma radiografia de suas condições socioeconômicas, de infraestrutura e vulnerabilidade à pobreza. Também passarão a contar com um guia, elaborado por duas especialistas, com sugestões de melhoria de desempenho justamente em Língua Portuguesa e Matemática.
Os guias foram elaborados pelas professoras Dra. Maria Eliza Fini (Matemática) e Dra. Zuleika De Felice Murrie (Língua Portuguesa), que formularam estudos – a serem oferecidos para as escolas públicas de Campinas – contemplando considerações e sugestões pedagógicas para a melhoria do ensino das duas disciplinas. As autoras consideraram exatamente a evolução do desempenho dos alunos de 5º e 9º anos do ensino fundamental das escolas de Campinas.




