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CEO do Banco Master, Augusto Lima, é preso em operação da PF que investiga fraude de até R$ 12 bilhões

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Sócio do Master e marido da ex-ministra Flávia Péres, Lima é apontado como idealizador de esquema de crédito consignado a servidores; investigação mira relações políticas em Brasília

O banqueiro baiano Augusto Lima, sócio e CEO do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em meio à Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no banco estimadas em até R$ 12 bilhões. Segundo as investigações, Lima criou o produto CredCesta, cartão consignado voltado a servidores públicos, usado como pivô para levantar recursos irregulares.

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A prisão de Augusto Lima marca um desdobramento importante na investigação sobre o Banco Master. A operação da PF apura que parte substancial das operações do banco eram lastreadas em crédito consignado repassado pelo CredCesta, produto desenhado por Lima para servidores públicos e funcionários de algumas empresas privadas. Fontes da PF avaliam que esse mecanismo servia como canal para captar recursos fraudulentos.

Ela começou a carreira política como assessora do ex-governador José Roberto Arruda e, mais tarde, foi casada com ele. Foto Reprodução

De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, parte dos recursos ilícitos já foi identificada: em depoimento à CPI do Crime Organizado, ele afirmou que R$ 1,6 milhão em espécie foram apreendidos na casa de um dos investigados.

https://twitter.com/lazarorosa25/status/1990852219713806700?s=20

A operação também se concentrou no imóvel de Lima e sua esposa, Flávia Péres — ex-ministra do governo Jair Bolsonaro e figura central na rede de relacionamentos políticos do banco. A mansão do casal, localizada no Park Way, área nobre de Brasília, foi alvo de buscas pela polícia. A PF não confirmou se o dinheiro em espécie foi encontrado no imóvel.

Além da dimensão financeira, a investigação tem um forte componente político. Lima e Flávia mantinham laços com lideranças do Distrito Federal, incluindo o governador Ibaneis Rocha, e figuras nacionais como Ciro Nogueira e Michel Temer, segundo apurações preliminares. A expectativa é que os documentos e celulares apreendidos contenham diálogos que podem revelar essas conexões.

https://twitter.com/cassioolivveira/status/1990876071672066137?s=20

A trajetória de Flávia Péres também é parte importante desta história. Ela começou a carreira política como assessora do ex-governador José Roberto Arruda e, mais tarde, foi casada com ele. Em 2018, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, e em 2021 assumiu a Secretaria de Governo durante o mandato de Bolsonaro. Em 2024, oficializou sua união com Lima.

No Banco Master, Flávia atuava à frente do Instituto Terra Firme, iniciativa que afirmava promover cursos de capacitação e autodefesa para mulheres vulneráveis. Em março, ela organizou um evento para apresentar o instituto com a presença de Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, e discursou sobre empoderamento feminino e autonomia.

Nos bastidores, o Banco Master chegou a negociar sua venda com o Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões. A ofensiva era vista como estratégica para salvar a instituição financeira, mas o Banco Central vetou o negócio, citando riscos para o BRB. A recusa levantou suspeitas de que a pressão política favorecia o Master justamente para viabilizar recursos antes de uma possível queda.

Com as prisões e apreensões, a investigação avança sobre a estrutura de governança do Master, o papel de Lima como articulador das operações financeiras e a rede política que sustentava o banco — além de apurar o destino efetivo dos recursos captados por meio do CredCesta.

Politização do banco e risco sistêmico
A prisão de um dos sócios do Master com forte inserção política revela a encruzilhada entre poder econômico e influência partidária. A investigação pode trazer à tona como um produto financeiro de crédito consignado se tornou peça central de um esquema de fraude bilionária, sustentado por aliados políticos de alto escalão. Especialistas financeiros alertam para o risco de contágio sistêmico, especialmente quando bancos privados estreitam relações com setores públicos e partidos em troca de favorecimento e capitalização.

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