Requerimento pede convocações e apura vínculos profissionais e familiares ligados ao esquema dos descontos ilegais
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar o foco das apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS após a apresentação de um requerimento que cita conexões indiretas entre pessoas ligadas ao seu escritório de advocacia e o núcleo investigado no esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários. A iniciativa ocorre no contexto da CPMI instalada para investigar descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com prejuízos estimados em mais de R$ 6 bilhões.
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O caso, revelado a partir da Operação Sem Desconto, investiga a atuação de associações e intermediários que promoviam cobranças não autorizadas sobre benefícios do INSS, atingindo principalmente aposentados e pensionistas. As investigações apontam para a existência de um grupo estruturado, com uso de entidades de fachada, circulação de recursos no exterior e relações com operadores financeiros.

As conexões sob investigação
O nome de Flávio Bolsonaro aparece em requerimento protocolado em 2 de fevereiro de 2026, que solicita a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório “Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia”, criado em 2021. O documento também propõe a quebra de sigilos bancário e fiscal da administradora, sob o argumento de que há vínculos que merecem esclarecimento no contexto da investigação.
Segundo o requerimento, Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador investigado por integrar o núcleo financeiro do esquema, apontado como operador de uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas supostamente utilizada para ocultação de recursos. A apuração também destaca que Alexandre mantém relação profissional com o principal articulador do esquema investigado pela Polícia Federal.
Outro ponto levantado é a indicação profissional de Letícia para o cargo no escritório do senador. O requerimento sustenta que essa nomeação ocorreu por intermédio de um advogado com trânsito político e jurídico junto a Flávio Bolsonaro, o que, na avaliação dos autores do pedido, justifica o aprofundamento das apurações para verificar se houve qualquer tipo de intermediação ou benefício indevido.
A CPMI foi instalada em 2025 para apurar irregularidades em descontos associativos e empréstimos consignados realizados sem autorização dos beneficiários. Documentos analisados ao longo das investigações indicam que o esquema se expandiu nos últimos anos, com falhas de fiscalização e crescimento acelerado de entidades suspeitas. Auditorias posteriores serviram de base para a deflagração da operação policial que desmontou parte da estrutura.
Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento com o esquema e afirma que a administradora de seu escritório não possui ligação comprovada com as fraudes. Até o momento, os requerimentos ainda não foram votados pelo colegiado da CPMI. A retomada dos trabalhos, prevista para os próximos dias, deve definir se haverá convocações, quebras de sigilo ou novos desdobramentos no caso.
O avanço das investigações ocorre em meio a disputas políticas dentro da comissão, com acusações cruzadas entre parlamentares da oposição e da base governista sobre responsabilidades e omissões relacionadas ao período em que o esquema operou. O desfecho dependerá das deliberações da CPMI e do aprofundamento das apurações conduzidas pelos órgãos de controle.




