Investigação aponta elo entre magistrado, cúpula da Alerj e alvo ligado ao Comando Vermelho
O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. Ele foi detido em sua residência, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro.
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Macário é apontado pelos investigadores como o magistrado que, em setembro, expediu o mandado de prisão contra o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, alvo central da Operação Zargun. A apuração da PF indica que informações protegidas por sigilo judicial teriam sido repassadas antes da deflagração da ação policial, permitindo a antecipação de movimentos por parte dos investigados.

A Operação Unha e Carne também envolve o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, à época presidente da Assembleia Legislativa do Rio. No dia 3, Bacellar foi chamado para uma reunião com o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, ao chegar, recebeu voz de prisão. Seu celular foi apreendido e, no veículo que utilizava, os agentes encontraram R$ 90 mil em dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, Bacellar é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que resultou na prisão de TH Joias por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-parlamentar é investigado por negociar armas para o Comando Vermelho. Ele havia assumido o mandato em junho e perdeu o cargo após a prisão.
As medidas judiciais autorizadas incluíram um mandado de prisão e dez de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além do Rio de Janeiro, houve diligências no Espírito Santo.
No caso de Bacellar, Moraes determinou não apenas a prisão, mas também seu afastamento da presidência da Alerj. Na decisão, o ministro afirmou haver “fortes indícios” de participação do parlamentar em organização criminosa, com atuação voltada à obstrução de investigações envolvendo facções criminosas e ações contra o crime organizado, inclusive com possível influência sobre o Poder Executivo estadual.
A Polícia Federal relata que, na véspera da operação, Bacellar deixou seu condomínio por volta das 21h40, com a residência posteriormente encontrada em completo desarranjo, o que levantou a suspeita de tentativa de fuga ou destruição de provas. TH Joias não estava em casa no momento do cumprimento dos mandados e só foi localizado horas depois, na residência de um amigo, também na Barra da Tijuca.
Preso na primeira fase da investigação, Bacellar acabou solto após decisão do plenário da Assembleia Legislativa, mas permanece sob medidas cautelares e voltou a ser alvo de buscas nesta etapa. A prisão do desembargador aprofunda a apuração sobre a existência de uma rede de vazamentos envolvendo agentes políticos e membros do Judiciário para proteger investigados ligados ao crime organizado.
Decisão do STF
Em decisão que autorizou a prisão e o afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que os elementos apresentados pela Polícia Federal indicam atuação direta do parlamentar para obstruir investigações sobre facção criminosa e ações de combate ao crime organizado. Segundo o despacho, a conduta atribuída a Bacellar teria influência no Poder Executivo estadual e representaria risco concreto de continuidade delitiva e de interferência indevida nas apurações em curso.




