Busca autorizada pelo STF atinge Alan Santos e amplia suspeitas sobre elo entre estatal e fraudes contra aposentados

Um diretor da Dataprev entrou na mira da Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (17), que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com prejuízos estimados em bilhões de reais.
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Segundo apuração, o alvo é Alan Santos, atual diretor de Relacionamento e Negócios da estatal, que teve mandado de busca e apreensão cumprido em seu endereço, em Brasília, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
CONEXÕES POLÍTICAS E INVESTIGAÇÃO EM CURSO
Servidor de carreira do INSS, Alan Santos ocupa o cargo desde o governo Jair Bolsonaro [PL], período em que, segundo documentos da CPMI do INSS, manteve reuniões dentro da Dataprev com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os encontros passaram a ser analisados no contexto das investigações que apuram a estrutura do esquema.
A Polícia Federal investiga se houve facilitação ou acesso indevido a sistemas que permitiram a inclusão de descontos em massa sem autorização de aposentados e pensionistas. A Dataprev é responsável pelo processamento de dados e operacionalização de sistemas estratégicos da Previdência, o que coloca a estatal no centro das apurações.
Fontes da investigação apontam que o esquema pode ter contado com articulação entre entidades associativas, operadores financeiros e possíveis conexões internas em órgãos públicos, o que amplia a gravidade do caso e levanta questionamentos sobre falhas de controle e governança.
Nos bastidores, o avanço da operação sobre um diretor da estatal é visto como ponto sensível, com potencial de repercussão política. A presença de um nome indicado durante o governo anterior pode acirrar disputas entre grupos políticos e alimentar narrativas de responsabilização institucional, dependendo dos desdobramentos das investigações.
Até o momento, não houve divulgação de posicionamento oficial de Alan Santos. A Dataprev também não se manifestou publicamente sobre o cumprimento das medidas judiciais. As investigações seguem sob sigilo parcial e buscam identificar a extensão do esquema e todos os envolvidos.




