
Na véspera do maior protesto da categoria em 10 anos, representantes de entidades médicas estiveram na tarde de ontem (6) na Câmara Municipal de Campinas para um encontro com o presidente da Casa, Pedro Serafim Junior.
Os médicos credenciados pelos Planos de Saúde prometem para esta quinta-feira (07/04) suspender por 24 horas os atendimentos de consultas e procedimentos eletivos, em protesto contra a baixa remuneração feita pelas operadoras. Em Campinas e região, são aproximadamente 10 mil médicos e a estimativa é que cerca de 900 mil pessoas tenham planos de saúde na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Os médicos dizem que as operadoras reajustaram os planos em perto de 90% nos últimos 10 anos, mas o repasse para os médicos subiu apenas 30%. “Há 10 anos, o custo que os Planos de Saúde tinham com o repasse aos médicos girava em torno de 30% a 32%. Hoje, esse percentual não ultrapassa 12%”, diz o diretor de Saúde Suplementar da Federação Nacional de Medicina, Casemiro dos Reis Junior. Segundo ele, os médicos reivindicam piso de R$ 80,00 pela consulta. Hoje, dizem eles, há casos em que o valor fica menos da metade disso e são pagas com até 75 dias de atraso.
Segundo a presidente regional da Sociedade de Medicina e Cirurgia (SMC), Denise Barbosa, os médicos não conseguem sequer manter um consultório, “mesmo que façam 100 consultas no mês”. Ela ataca o Planos de Saúde. Diz que os usuários pagam, mas não recebem pelo serviço. “Hoje, o usuário não consegue internação; não consegue marcar consulta, com demora de até seis meses; não têm autorização para exames e não são atendidos por especialistas”, diz ela.
De acordo com as entidades, a manifestação acontecerá simultaneamente em todo o país, mas os casos de emergência serão tratados normalmente.
O protesto é coordenado pela Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Segundo dados dos organizadores, 160 mil médicos em todo o país atendem pacientes de planos de saúde – cerca de 45 milhões de brasileiros. Nos consultórios desses médicos, em um mês típico, 80% das consultas são realizadas por meio de plano de saúde.
Primeiro vice-presidente do SMC, o médico José Renato dos Santos diz que a população precisa entender que o movimento serve de alerta para as operadoras, mas deverá resultar também em melhor qualidade no atendimento.
“Trata-se de um movimento pela dignidade dos médicos”, disse o vereador Dário Saadi (DEM), que médico urologista.




