Senador diz que valor citado era “boato” e pede que aliados não ataquem deputado do MS; bastidores revelam tensão com ala ligada a Michelle

O senador Flávio Bolsonaro confirmou que são dele as anotações manuscritas obtidas pela imprensa com menção a “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”, mas afirmou que o registro se referia a um boato que circulava no Mato Grosso do Sul. A declaração foi feita após a repercussão interna no Partido Liberal, em meio a disputas sobre a pré-candidatura ao Planalto e divergências com o grupo ligado a Michelle Bolsonaro.
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Segundo Flávio, as anotações foram feitas durante reuniões sobre a montagem de palanques estaduais e não indicariam qualquer negociação real. Ele declarou que registrou a informação para alertar o deputado Marcos Pollon sobre a circulação de uma “mentira criminosa”. Em vídeo divulgado por Eduardo Bolsonaro, o senador pediu que aliados não atacassem Pollon, classificando-o como leal às pautas do grupo.
Pollon negou ter condicionado desistência de candidatura a pagamento e afirmou que a anotação não faz sentido. Ele declarou que a menção seria tentativa de desgaste político. O deputado tem dito publicamente que pode disputar o governo de Mato Grosso do Sul ou o Senado, a depender de decisão de Jair Bolsonaro.
RETRATO DOS BASTIDORES
O documento manuscrito, intitulado “situação nos estados”, reúne avaliações internas sobre cenários eleitorais e composições regionais. Entre os nomes citados estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de dirigentes partidários como Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, que participaram da reunião.
Em São Paulo, aparecem discussões sobre a vice na chapa estadual e as vagas ao Senado. Em Minas Gerais, há registro de avaliação crítica sobre eventual candidatura de Mateus Simões ao governo. No Distrito Federal, o rascunho aponta dificuldade para acomodar a ex-primeira-dama e outras candidaturas ao Senado caso Ibaneis Rocha entre na disputa.
No Mato Grosso do Sul, além de Pollon, são mencionados o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja como peças do xadrez local. O documento também lista articulações na Bahia com ACM Neto e no Ceará com Ciro Gomes, indicando negociações amplas para formação de alianças.
As anotações são descritas por interlocutores como um rascunho preliminar de estratégias, mas revelam disputas internas e cálculos políticos antes do registro oficial das candidaturas. O episódio amplia a tensão entre alas do partido e expõe divergências sobre a condução do projeto presidencial bolsonarista.




