19.9 C
Campinas
terça-feira, janeiro 27, 2026
spot_img

Governo federal trabalha e negocia com EUA para reverter tarifa de 50%

Data:

Lula, ministro Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmam que Brasil vai usar Lei da Reciprocidade, caso a articulação diplomática não reverta a derrubada da taxação anunciada por Donald Trump

O governo federal anunciou neste domingo (13) que vai trabalhar para reverter a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. A medida, anunciada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto e ameaça setores estratégicos como siderurgia, agroindústria e indústria de base.

Em reunião no Palácio do Planalto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil buscará articulação diplomática intensa para convencer o governo norte-americano a derrubar o chamado “tarifaço”. O encontro contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra da Secretaria-Geral, Gleisi Hoffmann.

Segundo Alckmin, o governo também vai regulamentar a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, que permite ao Brasil retaliar países que impuserem barreiras comerciais de forma unilateral. O decreto deve ser publicado até terça-feira (15).

“A prioridade é o diálogo. Temos uma relação econômica sólida com os Estados Unidos, mas não hesitaremos em usar instrumentos legais se for necessário para proteger a indústria nacional”, declarou o vice-presidente.

O anúncio de Trump, que justificou a nova tarifa como resposta a supostas perseguições judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou reações imediatas. Na avaliação de analistas, a sobretaxa de 50% atinge em cheio produtos como aço, alumínio, carne, café e minério de ferro, além de prejudicar cadeias produtivas integradas, como a indústria automotiva e aeroespacial.

Atualmente, os EUA são o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Entre abril de 2024 e abril de 2025, as vendas para o mercado norte-americano somaram cerca de US$ 842 milhões, representando 12% das exportações totais.

O presidente Lula pretende ainda envolver o setor privado na estratégia de resposta, com a criação de um comitê de diálogo com empresários e associações de classe para avaliar os impactos e buscar soluções conjuntas. O Itamaraty, por sua vez, deverá intensificar conversas com autoridades americanas e levar o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para o governo, a medida ameaça o ambiente de previsibilidade entre os dois países. Alckmin lembrou que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil, principalmente no setor de serviços e tecnologias, o que, segundo ele, reforça a necessidade de manter equilíbrio nas relações.

A previsão de economistas é que a nova tarifa tenha impacto limitado no PIB brasileiro — estimado em uma retração de até 1,2%, caso persista por mais de seis meses. Ainda assim, o governo quer evitar prejuízos maiores e aposta em diversificação de mercados, reforçando parcerias com Europa, Ásia e países do Sul Global.

A reação oficial ocorre em um momento delicado, em que Lula tenta equilibrar a base política interna, lidar com tensões do processo contra Bolsonaro e preservar a imagem do Brasil como parceiro confiável no comércio internacional.

O Palácio do Planalto deve anunciar novas medidas nos próximos dias. A expectativa é que a regulamentação da Lei da Reciprocidade seja o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de defesa comercial, que poderá incluir sanções equivalentes, suspensão de concessões e revisão de acordos bilaterais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

PF aprofunda apuração sobre Banco Master e BRB e inicia nova rodada de depoimentos no STF, nesta segunda (26)

Investigação mira operações bilionárias com créditos e fundos suspeitos...

Lula se irrita com Toffoli no caso Banco Master e vê risco de desgaste institucional no STF

Presidente acompanha inquérito de perto, critica sigilo elevado e...

Presidenta interina da Venezuela rejeita ordens de Washington

Delcy Rodríguez diz que país deve resolver conflitos internos...

Raio atinge ato bolsonarista em Brasília e deixa dezenas de feridos

Descarga elétrica caiu sobre manifestantes durante chuva forte no...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade