Paralisação dos servidores da Guarda Municipal, da Emdec, da Saúde. Rebeldia na base de sustentação na Câmara Municipal, greve de cobradores e motoristas que travou a cidade em uma sexta-feira (dia 9 de agosto), cobrança de grupos pela CPI dos Transportes, manifestações e descontentamento por toda a cidade, além da falta de recursos para investimentos – e até mesmo para serviços de manutenção -, e dependência dos governos estadual e federal para cumprir as promessas de campanha.
Este tem sido o quadro dos primeiros sete meses do governo Jonas Donizette, apontado por vários moradores do distrito de Sousas como lento e confuso, com alguns afirmando, inclusive, nem parecer que a cidade vive sob nova Administração, a partir da frase: “nem parece que mudou o prefeito”. Até mesmo membros do PSB, partido de Jonas, já demonstram certo descontentamento com os rumos de sua gestão, argumentando que o leque de alianças que garantiu sua vitória na eleição tem sido um fardo e impedido o avanço de seu governo.
O candidato que prometeu solucionar todos os problemas de Campinas na saúde, na segurança, na educação, entre outros, está distante, avaliam moradores do distrito, do político que hoje ocupa o 4º andar do Palácio dos Jequitibás. “Até remédio em casa ele prometeu. E hoje você vai ao posto de saúde atrás de medicamento e nem lá encontra”, diz Valderly Costa, morador no Imperial Parque, em Sousas.
Há também quem lembre da escola em período integral como compromisso de campanha distante de ser cumprido. “Acho que era núcleo Boa Esperança, não era? Mas pelo jeito deve ficar mesmo na esperança”, desdenha. Sem contar com os moradores descontentes com a manutenção dos bairros do distrito que, acreditam, estão abandonados.
“Minha família garantiu 50 votos para o Jonas, na eleição passada. Mas, agora, ele não terá mais nenhum, assegura Alinda Maria Cremasco Bulgarelli, moradora na Vila Santana, bairro onde o descontentamento da população com o que classificam como ‘descaso com o bairro”, é intenso.
Numa outra ponta, o governo municipal é alvo de críticas de alguns segmentos do empresariado, em especial o da construção civil, que cita como um dos entrave para o lançamento de empreendimentos a burocracia exagerada implantada pela Prefeitura que torna lenta em demasia a aprovação de novos projetos. Empresários do setor que atuam no município afirmam estarem passando pela maior crise de todos os tempos.
Sem contar recente denúncia de que tanto a Emdec quanto a SETEC – Serviços Técnicos Gerais se utilizaram dos serviços de vigilância de uma empresa, a Colt, cujo proprietário, Sidney Lourenço, é integrante do PSB, e, além disso, a Colt emprega um filho do vereador Jorge Schneider (PTB). Os presidentes dos dois órgãos (Emdec e SETEC) foram convidados a comparecerem à Câmara de Vereadores para explicarem a contratação da Colt.
Na saúde, além dos problemas estruturais e de falta de profissionais nas unidades de atendimento, médicos do Mário Gatti reivindicam isonomia salarial que equipararia seus vencimentos aos que recebem os profissionais do setor de urgência e emergência que meses atrás receberam uma bonificação concedida pelo governo como incentivo para prosseguirem atuando no setor. Em meados do mês, o governo teve negada também a garantia oferecida à Caixa Econômica Federal, para liberação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, para a implantação na cidade do BRT (Bus Rapid Transit).
O Jornal Local procurou por meio da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida, para que comentasse o quadro atual em que está imerso o governo Jonas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Mas o prefeito declarou em evento recentemente ocorrido num final de semana, que tinha consciência de que enfrentaria dificuldades, mas que está certo de que conseguirá contorná-las.





