Hugo Motta articula apoio de esquerda e Centrão para continuar na presidência da Câmara

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Motta pretende preservar o diálogo com PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede. Essas sete legendas deverão reunir 124 deputados federais na próxima legislatura, segundo os números apresentados na reportagem. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Presidente da Câmara busca construir maioria entre diferentes partidos e evitar que o PL concentre o comando do Legislativo caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou as articulações para permanecer no comando da Casa na próxima legislatura, diante da intenção manifestada por integrantes do PL de disputar a presidência da Câmara e do Senado. Segundo reportagem do g1, a estratégia envolve negociar com partidos de esquerda, centro e direita para reunir votos suficientes, independentemente do resultado do segundo turno presidencial.

A movimentação expõe uma disputa pelo controle político do Congresso Nacional. Para setores do Centrão, a possibilidade de o mesmo grupo conquistar a Presidência da República e o comando das duas Casas legislativas representa uma redução do espaço de negociação dos demais partidos, especialmente nas decisões sobre o Orçamento, as emendas parlamentares e a tramitação de projetos de interesse do governo.

PL quer ampliar presença no comando do Congresso

A disputa ganhou novos contornos depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou, durante evento em Goiânia, que seu grupo político teria maioria para eleger os presidentes da Câmara e do Senado.

“Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara”, declarou Flávio, segundo o relato publicado pelo g1.

A declaração sinaliza a intenção do PL de ampliar sua influência para além da disputa presidencial. A eleição dos presidentes das duas Casas, porém, depende dos votos dos parlamentares e de acordos entre bancadas, o que torna a composição de alianças um fator decisivo.

Aliados de Motta avaliam que a concentração dos três principais postos políticos poderia reduzir a capacidade de outros partidos de negociar com o Executivo e com o Legislativo. Um interlocutor do presidente da Câmara ouvido pelo g1 resumiu essa preocupação: “O PL cresceu, mas dificilmente terá, ao mesmo tempo, a presidência da República, da Câmara e do Senado, isso enfraqueceria todos os outros partidos”.

Esquerda pode ser decisiva na eleição da Câmara

Motta pretende preservar o diálogo com PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede. Essas sete legendas deverão reunir 124 deputados federais na próxima legislatura, segundo os números apresentados na reportagem.

A bancada não tem votos suficientes para eleger sozinha o presidente da Câmara, mas pode contribuir para a formação de uma maioria. O resultado dependerá da capacidade de Motta de combinar esse apoio com os votos de partidos do centro e da direita.

O presidente da Câmara também mantém interlocução com lideranças do PP e do MDB, entre elas o deputado Dr. Luizinho (PP-RJ) e o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). A estratégia busca reproduzir uma composição parlamentar que ultrapasse as divisões entre governo e oposição.

O precedente mais recente citado pelos aliados é o de Arthur Lira (PP-AL), antecessor de Motta. Depois de chegar ao comando da Câmara com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL), Lira conseguiu manter sua influência após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Na eleição para um novo mandato, em 2023, recebeu 464 votos, apoiado por uma ampla aliança que incluiu PT e PL.

Apoio a Lula pode influenciar as negociações

Durante o primeiro turno da eleição presidencial, Motta declarou apoio a Lula. O posicionamento provocou divergências entre parlamentares e pode pesar nas negociações para sua permanência, sobretudo se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno.

O apoio ao petista também foi relacionado, por interlocutores ouvidos pelo g1, à tentativa de favorecer a candidatura de Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta, ao Senado pela Paraíba. Nabor não foi eleito.

Após o primeiro turno, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), anunciou o apoio da legenda à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, Pereira afirmou que o senador não tem resistência a Motta, apesar de o PL demonstrar interesse em disputar a presidência da Câmara.

A situação evidencia que o alinhamento eleitoral dos partidos não determina automaticamente seus acordos na eleição interna do Congresso. Mesmo legendas que apoiam candidatos presidenciais adversários podem negociar a composição da Mesa Diretora e a distribuição de espaços parlamentares.

Presidência do Senado também entra na disputa

No Senado, o PL busca ampliar sua bancada e fortalecer a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência da Casa. Marinho coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e é apontado como interessado no posto.

A reportagem do g1 informa que o PL conta com 28 senadores e prevê mudanças na composição da bancada, incluindo a entrada de Alex Diniz (PL) como suplente de Cleitinho, que deverá assumir o governo de Minas Gerais.

O crescimento da representação do partido pode dificultar a permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado, embora a eleição dependa da formação de uma maioria entre os senadores.

A disputa nas duas Casas tem relação direta com o poder de negociação sobre matérias legislativas, indicações, comissões e emendas parlamentares. O presidente da Câmara também dispõe de influência na definição de relatorias e na distribuição de postos internos, instrumentos que costumam integrar as negociações políticas.

Resultado presidencial não encerra disputa

A articulação de Motta deverá continuar após o resultado do segundo turno. Se Flávio Bolsonaro vencer, aliados do presidente da Câmara pretendem abrir canais de negociação com o futuro governo. Caso Lula seja reeleito, a interlocução com a base governista poderá permanecer como parte da estratégia para construir maioria.

A definição do comando da Câmara caberá aos deputados da próxima legislatura. Até lá, o resultado dependerá dos acordos entre as bancadas, da disposição dos partidos em apoiar Motta e da capacidade do PL de transformar seu crescimento eleitoral em votos para controlar as duas Casas do Congresso.

A disputa, portanto, não se limita à escolha de um presidente para a Câmara. Ela envolve a distribuição de poder entre partidos, o acesso aos mecanismos de negociação do Legislativo e a relação que o Congresso estabelecerá com o próximo governo federal.

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