A apresentação em Piracicaba está marcada para 05 de Março, sexta-feira, às 21h
USUFRUTO, de Lúcia Veríssimo é um espetáculo de idéias, construído com uma dramaturgia cuidadosamente burilada e uma encenação, assinada por José Possi Neto, que nos remete a intimidade desse encontro inesperado entre um homem e uma mulher desconhecidos. A peça, numa empreitada inovadora, fará temporada as quartas e quintas-feiras em São Paulo, na FAAP e turnê aos finais de semana pelo Brasil.
O texto de Lúcia Veríssimo é um tributo a Roland Barthes, um dos mais importantes filósofos do nosso tempo, que definia seu próprio trabalho como “o saber com sabor”. E é desta forma que é conduzido USUFRUTO. Os diálogos são ágeis e sarcásticos, onde são discutidas questões eternas sob uma ótica contemporânea: amor, casamento, paixão e ética. “Uma bela apresentação de idéias nas quais conceitos antigos são demolidos, novas propostas são lançadas, a vida e o amor são questionados, mas tudo é dito com sabor, com humor, com malícia e com sutileza”, afirma Lúcia.
Com formação jornalística Lúcia Veríssimo sempre escreveu, mas não pensava em dramaturgia até 2005 quando, durante as tomadas da novela América, surge USUFRUTO: “Criei a peça nos intervalos das gravações, incentivada por Rafael Calomeni e Gabriela Duarte. USUFRUTO nasceu envolto na poeira das madrugadas, no caminhão das externas”, conta Lúcia.
A história se passa num apartamento à venda. Nele se encontram uma mulher de cinqüenta anos, bela, sedutora, atraente, debochada, sem limites; e um jovem e promissor arquiteto, entusiasta, sonhador, apaixonado e muito conservador. Eles disputam a compra do imóvel, e ela propõe um jogo, um jogo da verdade, no qual o perdedor desiste. Essa relação reúne a universalidade à particularidade, especialmente à particularidade brasileira, onde essas duas pessoas, uma mulher misteriosa e decidida a conseguir o que quer e um jovem homem que tenta realizar um sonho jogando sinceramente.
Sem jamais perder a leveza a peça é um dueto e um duelo, e seu final é surpreendente. Lúcia Veríssimo acredita que “assim como o personagem do jovem homem, o público também deixará o teatro cheio de dúvidas e reflexões”. Essa afirmação se dá justamente pelo final inesperado e bem arquitetado.
“O jogo já havia sido programado ou aconteceu durante o encontro? Esta mulher é inescrupulosa mesmo ou agiu levada pela situação? Os fins justificam os meios? Quem de fato perdeu o jogo?”, pergunta a minuciosa autora.




