Escolhido combina trajetória técnica, vínculos políticos antigos e influência crescente no centro do governo; indicação reacende debate sobre independência do Judiciário e poder de articulação do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar, nesta quinta-feira (20), o advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, de 45 anos, para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha, embora esperada nos bastidores do Planalto, desencadeia novas disputas no Senado e levanta questionamentos sobre o peso da lealdade política nas nomeações para a mais alta Corte do país.
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Perfil técnico e discreto
Servidor de carreira desde 2007, Messias construiu trajetória sólida dentro do Executivo. Procurador da Fazenda Nacional, já atuou no Banco Central, foi consultor jurídico de ministérios estratégicos e ocupou postos de confiança durante o governo Dilma Rousseff — período em que consolidou sua proximidade com Lula e com a ala jurídica do PT.

No terceiro mandato do presidente, Messias não apenas integrou a equipe de transição como assumiu a Advocacia-Geral da União em janeiro de 2023, cargo que ampliou sua projeção política e o colocou no núcleo jurídico que assessora diretamente o Planalto em conflitos com o Legislativo e no front das disputas no próprio STF.
Sua formação acadêmica — mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB) e bacharel pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE) — é usada pelo governo como escudo técnico para rebater críticas quanto à eventual politização da Corte.
Indicação tem apoio do Senado, mas resistência também
Para assumir o posto, Messias será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e precisará obter ao menos 41 votos no plenário do Senado. O governo conta com sua base formal e com apoios individuais de senadores que veem na AGU um perfil “juridicamente robusto”.
Mas a indicação também desperta resistências:
- setores da oposição denunciam “aparelhamento” do STF;
- independentes reclamam da proximidade excessiva com Lula;
- parte do centrão quer negociar pautas antes de confirmar o nome.
O Planalto já mobiliza ministros e líderes governistas para uma operação de convencimento que deve durar semanas.
Messias pode permanecer até três décadas no STF
Caso aprovado, o pernambucano poderá ocupar a cadeira até completar 75 anos — idade da aposentadoria compulsória — o que rende ao presidente Lula um dos legados mais duradouros de sua gestão. Messias será o quarto nome vindo da Advocacia-Geral da União a integrar o Supremo, repetindo a rota percorrida por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e André Mendonça.
O movimento reforça uma tendência silenciosa: a migração de quadros da AGU para o mais alto tribunal do país, o que fortalece a cultura jurídica da advocacia pública dentro da Corte, mas também reacende discussões sobre o equilíbrio entre os Poderes.
OAB celebra; analistas divergem
A Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota elogiando a escolha e destacando o “significado especial” de levar um advogado público ao STF. Juristas próximos ao governo afirmam que Messias reúne “perfil técnico, experiência institucional e estabilidade emocional”.




