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terça-feira, março 17, 2026
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Maestro João Carlos Martins leva 2,5 mil pessoas à Concha Acústica

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Maestro

Foto: Luiz Granzotto/PMC

Dona Celeste Salles Peres, de 93 anos, assistiu pela primeira vez um espetáculo na Concha Acústica do Parque Portugal, na Lagoa do Taquaral. Conta que ficou muito emocionada com as músicas de Bach, Beethoven, Mozart, Vila Lobos, entre outras, interpretadas pela Camerata Bachiana, regida e acompanhada pelo maestro João Carlos Martins. “Gostei muito. Faz lembrar dos tempos antigos”, conta.

Acompanhada do filho e artista plástico, Rafael Peres, que informou que a mãe é sobrinha-neta do ilustre campineiro e ex-presidente da República (1898-1902), Manuel Ferraz de Campos Salles, dona Celeste assistiu na primeira fila ao espetáculo “Na Roda com o Maestro”, regida e acompanhada pelo pianista reconhecido mundialmente, que hoje dirige a Fundação Bachiana, que já formou quatro mil jovens de São Paulo “para a música e para vida”, segundo o maestro.

Jovens, adultos, idosos e famílias se divertiram e se emocionaram com o repertório que também incluiu trilhas sonoras como as dos filmes Mágico de Oz e Cinema Paradiso, além de músicas populares brasileira, cantadas pelo tenor Jean William, como Trem das Onze, de Adoniram Barbosa, que teve como coral as vozes de mais de 2,5 mil pessoas que lotaram as arquibancadas da Concha.

Para o vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, que também é músico, não só o repertório emocionou a população presente, mas a história do próprio maestro, que é uma lição de vida. “Além da qualidade da música, o maestro João Carlos Martins é um exemplo de vida. Emociona por meio da música e por sua vida”, afirma.

João Carlos Martins, que tem uma história de sucesso e de tratamentos de saúde para continuar tocando piano, ficou muito à vontade no palco campineiro. Apresentou as músicas e lembrou da primeira vez que tocou na cidade, em 1956, com a musicista Olga Normanha (1915-2013). “Estou muito feliz que este espaço voltou a ser um espaço cultural. Tenho certeza que Campinas voltará a ocupar o lugar que teve na cultura brasileira”, profetizou o músico que já tocou nos melhores palcos do Brasil e do mundo logo depois de entregar um diploma ao secretário de Cultura, Ney Carrasco, e aos patrocinadores do evento: D’Color e Seller.

Carrasco, que também é flautista e professor na Unicamp, ficou satisfeito com a participação popular num evento de música erudita. “É princípio da Administração proporcionar cultura diversificada”, afirmou, lembrando que na próxima semana a Concha Acústica abriga o festival Rock Esquenta. “Campinas está criando um circuito cultural forte”, avalia. O diretor de Cultura, Gabriel Rapassi, comentou a importância da Concha Acústica para a vida da cidade. “Aqui é um lugar muito especial, que já viu grandes espetáculos. As pessoas quando vêm aqui têm contato com o belo da produção humana e a beleza da natureza em volta e da Lagoa ao fundo”, pondera.

A cantora e pesquisadora da Unicamp, Sandra Ciocci, levou os cumprimentos do seu esposo, o prefeito Jonas Donizette, ao maestro. Ela avalia que os espetáculos ao ar livre são grandes oportunidades para as pessoas terem contato com os diversos tipos de música. “Às vezes as pessoas não têm possibilidade de ir a um teatro para assistir a um espetáculo de música clássica. Então, é uma grande oportunidade e que as pessoas aproveitaram”, destaca.

População

A corretora de imóveis, Lidiane Oliveira, de 31 anos, levou a filhinha Ivy, de 3 anos, para assistir ao espetáculo do maestro João Carlos Martins com a Camerata Bachiana. “Sou de uma família de músicos e gosto de música clássica e incentivo a minha filha desde cedo a gostar também”, relata. Ela avalia que espetáculos na Concha são uma ótima opção de lazer. “A música é muito importante para a vida. Esperamos que tenham mais espetáculos. Deveriam acontecer em mais lugares da cidade”, repara.

O músico e dirigente do Instituto Anelo, Lucas Soares, também prestigiou o evento e ficou ainda mais inspirado para levar em frente seu projeto de ensino de música para crianças carentes da região do Campo Grande ao saber do trabalho do maestro João Carlos Martins na Fundação Bachiana. “É inspirador. Um trabalho como este influencia a formação integral das crianças e do ser humano. Serve de inspiração para nosso trabalho”, avalia.

O Maestro

João Carlos Martins nasceu em 25 de junho de 1940 e começou a tocar piano com 8 anos de idade. Aos 11, já conquistava seu primeiro prêmio por interpretar obras de Johann Sebastian Bach. Dali em diante jamais abandonou o compositor e se tornou um especialista, respeitado em todo o mundo. “Bach é a síntese da música de antes dele e a profecia do que veio depois”, analisa. Aos 20 anos estreou no Carnigie Hall, uma das principais casas de espetáculos dos EUA, depois de ter sido escolhido o melhor entre inúmeros candidatos das três Américas para dar o Recital Prêmio em Washington.

Uma vida de sucesso, mas também de luta para continuar tocando. Após um acidente num jogo de futebol, em Nova Iorque, teve um tendão da mão direita cortado. Depois de vários tratamentos, desenvolveu uma doença chamada Contratura de Dupuytren, que traciona os dedos para a palma da mão, e teve que parar de tocar. Vendeu os instrumentos e tornou-se treinador de boxe. Sua paixão pela música fez que voltasse aos concertos.

Após um show na Bulgária, durante um assalto, sofreu uma pancada na cabeça durante um assalto e perdeu parte dos movimentos das mãos. Novamente pensou que não voltaria a tocar, mas desenvolveu uma técnica própria de tocar piano, utilizando os dedos que podia de cada mão. Com esta técnica emocionou os campineiros que estiveram na Concha Acústica neste domingo. O que o faz continuar? “Nunca perder a esperança e não deixar minha missão de fazer música”, observa.

Em 2004, o pianista tornou-se maestro, mas a impossibilitado de segurar a batuta ou virar as páginas da partitura levou-o a memorizar nota por nota das músicas que interpreta.

Fundação

Há cerca de 10 anos, João Carlos Martins criou a Fundação Bachiana, que atende a crianças e jovens na Capital Paulista, que segundo o maestro já formou mais de quatro mil pessoas em diversos instrumentos. Mantém uma Orquestra Filarmônica com 79 músicos, que já se apresentou nos melhores palcos e a Camerata Bachiana, que tocou em Campinas com 10 músicos, alguns formados pela própria instituição. São eles:

 

1º violino – Renato Yokota

2º violino – Hudson Gorzoni

Viola – Danielli Andrade

Violoncelo – Diego Mesquita

Fagote – Eliseu Nascimento

Clarinete – Leirson Maciel

Oboé – Wainer Concourde

Tenor – Jean William

A formação já se apresentou em diversas cidades do Brasil, da Europa e América do Sul. O maestro contou ao público que o tenor do grupo, que mostrou muito talento e empatia com o público, veio de uma família humilde da cidade de Barrinha e que já cantou em Londres e voltará a cantar, acompanhando o maestro, em Nova Iorque, em dezembro.


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