PF terá 30 dias para aprofundar apuração que envolve banqueiro, BC e tentativa de compra pelo BRB
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou novas diligências na investigação que apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, decisão que mantém o caso sob a jurisdição do STF após a citação de um deputado federal nos autos. A Polícia Federal terá prazo de 30 dias para ouvir investigados, autoridades do Banco Central e requisitar novos dados, incluindo quebras de sigilo telefônico.
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A decisão reforça o peso institucional do caso ao centralizar no Supremo uma investigação que inicialmente tramitava na Justiça Federal de Brasília. O deslocamento ocorreu após a identificação de menções a um parlamentar federal, o que aciona automaticamente o foro por prerrogativa de função. Nos bastidores do Judiciário, a avaliação é de que o inquérito deixou de ser apenas um caso de irregularidade bancária para alcançar possíveis conexões políticas e institucionais.

A investigação ganhou dimensão nacional em novembro, com a deflagração da Operação Compliance Zero. A apuração aponta para a concessão de créditos considerados fictícios, manobras contábeis e tentativas de inflar ativos do Banco Master, com prejuízos estimados em até R$ 17 bilhões. Um dos eixos centrais envolve a tentativa de venda da instituição ao Banco Regional de Brasília, banco público ligado ao governo do Distrito Federal, operação que levantou alertas no sistema financeiro.
Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, figura como principal investigado. Também estão na mira da PF ex-diretores da instituição e um ex-sócio, apontados como responsáveis por decisões estratégicas que teriam sustentado o esquema. A linha de investigação busca esclarecer se houve conivência interna, falhas deliberadas de compliance e eventual omissão de controles por parte de órgãos reguladores.
A autorização para novos depoimentos de autoridades do Banco Central indica que o STF pretende aprofundar a análise sobre quando e como as irregularidades foram detectadas, e quais medidas foram adotadas antes da operação policial. O foco agora é identificar se houve atraso na comunicação dos fatos, subavaliação dos riscos sistêmicos ou influência externa sobre decisões técnicas.
A defesa de Vorcaro nega tentativa de fuga e sustenta que o banqueiro sempre colaborou com as autoridades. Paralelamente, o BRB anunciou a contratação de auditoria externa para revisar seus procedimentos internos, especialmente no contexto da negociação frustrada de aquisição do Banco Master, movimento que expôs o banco público a riscos reputacionais e políticos.
Rastro do dinheiro
Os investigadores trabalham com a hipótese de que créditos simulados e operações internas teriam sido utilizados para inflar artificialmente o valor do Banco Master, viabilizando a negociação com o BRB. A PF analisa fluxos financeiros, contratos de empréstimos e a origem dos recursos envolvidos nas operações suspeitas, além de possíveis benefícios indiretos a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao núcleo decisório do banco.
A menção a um deputado federal nos autos introduz uma dimensão política sensível ao caso. A apuração busca esclarecer se houve atuação para facilitar operações financeiras, pressionar órgãos de controle ou blindar decisões estratégicas. No Distrito Federal, a tentativa de compra pelo BRB também levanta questionamentos sobre governança em bancos públicos e a influência de interesses externos em decisões administrativas.
A investigação ainda não detalhou publicamente o papel exato do parlamentar citado, nem se outras autoridades públicas serão chamadas a depor. Também permanece em aberto se as supostas fraudes configuram apenas crimes financeiros ou se podem alcançar delitos contra o sistema financeiro nacional, com repercussões penais mais amplas.




